segunda-feira, 18 de junho de 2012

Cem anos de instalação de Juazeiro


Esta cidade comemora hoje, o centenário de instalação como Município e a posse do Padre Cícero como o primeiro prefeito. Solenidades oficiais serão realizadas pela Prefeitura e Câmara Municipal. O sacerdote foi nomeado pelo então governador Nogueira Acioly. Na noite de ontem, no Memorial Padre Cícero, foi programada uma homenagem a todos os ex-prefeitos da cidade, pela Comissão do Centenário. Juazeiro do Norte teve 28 prefeitos. Os seis vivos receberam a Medalha do Centenário. Quanto aos outros, a outorga foi "in memoriam".O centenário da assinatura do "Pacto dos Coronéis" pelos principais chefes políticos do Cariri também acontece hoje. O ato se deu a partir de uma sugestão do Padre Cícero, ficando a organização sob a responsabilidade do médico Floro Bartolomeu da Costa. De acordo com o secretário de Turismo e Romaria, José Carlos dos Santos, que coordena a comissão, a relação dos homenageados teve como fontes o livro "O Padre Cícero que eu Conheci", de Amália Xavier de Oliveira, e de Daniel Walker sobre a história da independência juazeirense. A iniciativa faz parte da programação comemorativa aos 100 anos de Juazeiro que se estenderá até julho do próximo ano.
Medalha LegislativaA Câmara Municipal homenageia, na comemoração dos seus 100 anos, personalidades com a Medalha Centenária Legislativa. Serão agraciados o escritor Ralph Della Cava, coronel Adauto Bezerra, Almirante Ernani Aboim Silva, os escritores Geraldo Menezes Barbosa, Raimundo Araújo, Daniel Walker, Renato Casimiro, Renato Dantas e, ainda, a Agremiação Guarani Esporte Clube.A abertura das comemorações aos 100 anos de instalação de Juazeiro foi iniciada no último dia 1º, com show artístico em praça pública. Haverá entrega de uma placa em homenagem a José Geraldo da Cruz, escolhido como o Juazeirense do Centenário, no Memorial Padre Cícero.O pacto dos coronéis foi apontado como uma importante passagem na história do coronelismo brasileiro. O Padre Cícero era filiado ao extinto Partido Republicano Conservador (PRC). Foi o primeiro prefeito de Juazeiro do Norte, no ano de 1911, quando o povoado foi elevado a cidade.As comemorações do centenário de Juazeiro do Norte foram iniciadas dois anos antes de comemorar os 100 anos da cidade, marcando os 100 anos da imprensa na cidade, com o jornal "O Rebate", que teve como marca a luta pela independência. Para o presidente da comissão organizadora do centenário de Juazeiro, Geraldo Barbosa, "O Rebate" teve importância na imprensa como parte testemunhal dos acontecimentos, no tempo e na história da cidade.A cidade nos últimos anos teve uma grande mobilização para a festa. A referência ao centenário passou a ser constante pelos meios de comunicação e comércio da cidade, além do poder público, que criou uma comissão específica com a finalidade de planejar as ações e solenidades em homenagem aos 100 anos.A logomarca do centenário foi escolhida por meio da realização de um concurso.


MAIS INFORMAÇÕES Secretaria de Desenvolvimento, Turismo e RomariasPraça do Cinquentenário, S/N, Bairro Socorro. Telefone: (88) 3511.4040
4 de outubro de 2011 
Elizângela Santos
Repórter
Diário do Nordeste

Começa o inventário da oferta turística de Juazeiro do Norte


TERÇA-FEIRA, 5 DE MAIO DE 2009
Uma reunião com professores e alunos do Cefet, no Círculo Operário São José, foi o ponto de partida para a realização do Inventário da Oferta Turística de Juazeiro do Norte. O grupo ouviu os professores Renato Dantas, Daniel Walker e José Carlos dos Santos, Secretário do Turismo e Romaria. Foi uma espécie de apresentação de uma ideia geral do município, a fim de que os alunos do curso de Turismo pudessem traçar um caminho com a abertura da Setur para prestar assessoria.
Até o próximo sábado, dia 9, a equipe estará em campo dividida em grupos distintos. A coordenação é da professora de Turismo do Cefet, Ione Chaves, auxiliada pelo também professor José Sólon Sales e Silva. Ela apresentou o grupo e a metodologia de trabalho, após o professor Renato Dantas falar sobre o imaginário existente em Juazeiro. "Aqui é uma cidade que se ergueu atraindo homens de bem diante de um espaço religioso", falou Renato.
O misticismo em torno de Juazeiro foi o centro da conversa do professor Daniel Walker. O Secretário de Turismo, José Carlos dos Santos, destacou a importância do trabalho que vai deixar o município em condições de conquistar verbas federais para o setor. O resultado do Inventur, como é chamado, vai alimentar o sistema de informações do Ministério do Turismo uma das condições para a captação de recursos destinados a projetos na área.
MÓDULOS - Um grupo formado por 12 alunos está responsável pelos módulos "A" e "B" e iniciou o trabalho de campo ainda na manhã desta segunda-feira. A professora Ione Chaves explica que o módulo "A" cuida de levantamentos sobre a infraestrutura de apoio ao turista e detalhes outros como a história do município, geografia, política, estrutura administrativa, comunicações, vias de acesso, segurança pública, atendimento médico-hospitalar, farmácias, educação e templos.
Já o módulo "B" trata dos serviços específicos como as condições de hospedagem, alimentação, agências de viagens, transportes, espaços para eventos como congressos e seminários, calendário de festividades sagradas e profanas, áreas de lazer e entretenimento, dentre outros detalhes afins. Finalmente o módulo "C" conta com 11 estudantes do Cefet. Eles levantarão os atrativos naturais, culturais e econômicos como os Arranjos Produtivos Locais (APLs). Verão sítios históricos como o Santo Sepulcro, edificações, celebrações, produção artesanal e as manifestações folclóricas.
Postado por Tarso Araújo   às 07:55

sexta-feira, 15 de junho de 2012

Atualizada em 16/11/2009 às 13:20:20

Por: Elizângela

Pesquisadores doam acervo para UFC Cariri

O material doado por Renato Casimiro e Daniel Walker vai compor o Centro de Referência e Memória de Juazeiro.

 

Um acervo considerável da história de Juazeiro do Norte e do Cariri foi doado, no início do mês, ao curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Campus Avançado da UFC Cariri, pelos pesquisadores Renato Casimiro e Daniel Walker. A solenidade contou com uma exposição, com parte do acervo entregue à UFC.


 



O material fará parte do Centro de Referência e Memória da Cidade de Juazeiro do Norte, que será inaugurado em 2011, em comemoração ao centenário de Juazeiro. O centro vai servir como um espaço de disseminação da cultura e história da região, vinculado ao Laboratório de Ciência da Informação do Curso de Biblioteconomia da UFC Cariri.

O material inclui desde bibliografias, fotos, jornais, xilogravuras, cordéis, material em áudio e vídeo até esculturas de artistas como o Mestre Noza e documentos originais da cidade, como cartas do Padre Cícero. O acervo que se encontrava emprestado ao Centro Cultural Banco do Nordeste, pertencente ao professor Renato Casimiro, com 59 esculturas do Mestre Noza, também será repassado para a UFC.

O trabalho associado dos dois intelectuais de colecionar material histórico, cultural e social continua. Segundo o professor Daniel Walker, ele e Renato Casimiro continuarão a reunir acervos importantes e poderão fazer novas doações.

Só para se ter uma ideia, são mais de oito mil cordéis, xilogravuras de todos os cordelistas de Juazeiro e mais de duas mil imagens digitalizadas, além de obras de xilógrafos do Crato, como o mestre Walderêdo Gonçalves. Além disso, serão doados 15 mil exemplares de jornais, desde os primeiros registrados na história da cidade aos atuais. Os jornais servirão para compor o acervo para o curso de Jornalismo, a ser iniciado em 2010. Além disso, foram doados mais de 20 mil documentos, incluindo cartas originais e telegramas de personalidades como o Padre Cícero.

São mais de 40 anos da "mania" de juntar material, segundo Renato Casimiro. Daniel Walker afirma que tudo começou nos anos 70, com uma exposição sobre Juazeiro antigo. "Ficamos felizes, comovidos, porque temos a certeza de que estamos entregando à instituição certa", ressalta. A ideia tem servido de incentivo. O repentista e violeiro Pedro Bandeira também cedeu o seu acervo.


Foto: Elizângela Santos


TERÇA-FEIRA, 17 DE MAIO DE 2011

A imprensa no Juazeiro

Centenário de Juazeiro do Norte # 34
 Todos sabem da importância da imprensa, tanto pro bem quanto pro mal. E em Juazeiro, o Jornal "O Rebate"[com primeira edição de julho de 1909] teve uma relevância fundamental na emancipação deste município. Pioneiro na imprensa, “O Rebate” teve sua primeira edição relançada em 2009 e marcou o início dos festejos do centenário.
A imprensa de Juazeiro é tratada com muito zelo e faz parte das pesquisas de Renato Casimiro e Daniel Walker, e foram apresentadas em uma exposição no Centro Cultural Banco do Nordeste, também em 2009.
Estou relembrando o fato para destacar a importância da imprensa para a nossa cidade e também por estarmos orgulhosos em fazer parte dessa história. Quando recebemos o folder da exposição e descobrimos "O Berro" e o "Guia Cultural" em sua catalogação, vimos que nossos esforços eram válidos, não só por esse registro, mas por todo o incentivo que recebemos de amigos e pessoas que cobravam o nosso retorno. O resultado é este blog, feito com nosso carinho e dedicação para todos.



E além de "Enquanto o garçom não vem", "Sovaco de Cobra", "Gota Serena" e centenas de outros informativos, relembramos nossos contemporâneos: a revista “Geral”, que junto com “O Berro” produziu, além dos seu impressos, eventos alternativos na região; e o "Quatro", que ainda hoje veicula suas poesias e matérias nos espaços comerciais de Juazeiro.



Para saber um pouco mais sobre a pesquisa de Renato Casimiro e Daniel Walker, clique aqui.  

Professor diz que Padre Cícero se preocupava com a segurança alimentar

Uma Mesa Redonda seqüenciou na noite desta segunda-feira, no Campus Cariri da UFC (Universidade Federal do Ceará), a programação da 28ª Semana do Padre Cícero em comemoração aos 166 anos do sacerdote. O tema central foi “Padre Cícero, Padroeiro das Florestas” e atraiu dezenas de alunos lotando o auditório daquele estabelecimento de ensino. A abordagem central coube ao biólogo e professor da Universidade Regional do Cariri (Urca), Francisco Cunha.
A acolhida aos participantes foi feita pelo coordenador do Campus, Ricardo Ness, seguido pelo Secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, que falou sobre a programação da Semana do Padre Cícero. Na mesa presidida pelo professor Daniel Walker e tendo como debatedor o engenheiro agrônomo e aluno do curso de Filosofia da UFC, William Brito, o palestrante definiu o Padre Cícero como um homem que se preocupava com a segurança alimentar das pessoas.
O professor Francisco Cunha chamou a atenção para outra preocupação do sacerdote que era a explosão demográfica e a necessidade do desenvolvimento, mas respeitando os limites com aproveitamento racional dos recursos naturais. Na opinião dele, o Cariri é uma região abençoada e apontou a experiência do Caldeirão do Beato José Lourenço como um “novo modelo em função da terra”. Observou ainda que, de um “vila paupérrima”, Juazeiro se tornou, em pouco tempo, numa das cidades mais importantes do Nordeste.
O palestrante estimou que, nos últimos quatro anos, os investimentos entre públicos e privados em Juazeiro e no Cariri foram da ordem de R$ 1 bilhão. A programação da Semana do Padre Cícero reserva para as 18h30min desta terça-feira, dia 23, apresentação de filmes e a inauguração do relógio remissivo do Centenário na Praça Padre Cícero. Às 20 horas, no adro da Capela do Socorro, o lançamento do romance “A Mulher Sem Túmulo”, de Nilze Costa e Silva.
Logo depois começa a XXII Seresta de Padre Cícero com a participação de 22 seresteiros homenageando o sacerdote. Convidados pelo município, 166 famílias juazeirenses levarão seus bolos para serem cortados a meia-noite em meio a um show pirotécnico, canto de parabéns e oferta do “Caldo da Nair”. Os destaques do dia 24 de março ficarão por conta da celebração de Missa, Corrida Padre Cícero entre Crato e Juazeiro e a tradicional Procissão das Flores.
Texto: Demontier Tenório
Fonte: http://blogdojuazeiro.blogspot.com/


quinta-feira, 14 de junho de 2012


Juazeiro do Norte-CE: PADRE CÍCERO ´Milagre´ marca desenvolvimento

A terra de Padre Cícero tem, ao longo destes 100 anos, se destaca na região como um polo de novas oportunidades
Juazeiro do Norte, uma cidade que nasceu de um sonho e tomou o rumo do desenvolvimento por um milagre. FOTO: ARQUIVO
Juazeiro do Norte, uma cidade que nasceu de um sonho e tomou o rumo do desenvolvimento por um milagre. FOTO: ARQUIVO
Uma cidade que nasceu de um sonho e tomou o rumo do desenvolvimento por um milagre. Assim, o Padre Cícero Romão Batista iniciou sua morada e, respectivamente, marcou o seu sacerdócio anos mais tarde. Das imagens oníricas do “Padim” da terra que teria que cuidar ao fenômeno da hóstia que virou sangue na boca da beata Maria Araújo, os rumos da cidade promissora, em poucos anos, tomou força. De lá para cá, não mais parou.
As oficinas incentivadas para cada casa e, em cada oficina um oratório, se multiplicaram. O Padre Cícero recebia os novos moradores direcionando-os para o trabalho e a oração. E para os que aqui já estavam também. Mas o crescimento de Juazeiro tomou proporções maiores e, hoje, é um polo regional. A economia vem se fortalecendo ao longo dos anos e a área educacional está em expansão, com os cursos universitários que se multiplicaram em pouco menos de uma década. São, principalmente, instituições particulares.
Local estratégico
CAPELA DO SOCORRO, nas primeiras décadas do século XX. Se o local não tivesse sofrido modificações arquitetônicas seria tombado FOTOS: ARQUIVO DANIEL WALKER E ELIZÂNGELA SANTOS
CAPELA DO SOCORRO, nas primeiras décadas do século XX. Se o local não tivesse sofrido modificações arquitetônicas seria tombado FOTOS: ARQUIVO DANIEL WALKER E ELIZÂNGELA SANTOS
A localização geográfica, em relação às capitais nordestinas, além da constante dinâmica, com confluência dos consumidores de toda a região do Cariri, todos os dias, atraídas pelo comércio local, destaca a cidade no cenário da Região Metropolitana do Cariri (RMC). São quase 250 mil habitantes, de acordo com o último censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). E mais a somar, com a população flutuante. Durante as maiores romarias do ano, esse número chega a triplicar. A cidade vira um formigueiro humano.
Para os técnicos, esse reflexo no desenvolvimento, mesmo diante do aspecto positivo do crescimento econômico, traz preocupações quanto ao planejamento urbano. O Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Juazeiro, mesmo feito em 2000, não poderá abraçar a curto prazo todas as demandas. Tantas mudanças ao longo de um século de existência, proporcionam ações emergentes de planejamento urbano.
A RUA SANTA Luzia, no Centro da cidade, e sua transformação ao longo de décadas. FOTOS: ARQUIVO DANIEL WALKER E ELIZÂNGELA SANTOS
A RUA SANTA Luzia, no Centro da cidade, e sua transformação ao longo de décadas. FOTOS: ARQUIVO DANIEL WALKER E ELIZÂNGELA SANTOS
Não deu para ver a Juazeiro histórica crescer. Os pesquisadores tentam adivinhar em fotografias o que restou de um passado edificado. Um deles é Daniel Walker, que possui um rico acervo fotográfico do que pode ser resgatado dessa memória tão recente. Ele lamenta a ausência de zelo pelo patrimônio. Uma área urbana pequena, que entra nos distritos e nos sítios dos seus arredores, com a força total das construções, vai incorporando tudo ao redor.
Modernização
Hoje, a rua Santa Luzia é um dos principais corredores comerciais de Juazeiro do Norte, com a presença de lojas de vários segmentos FOTOS: ARQUIVO DANIEL WALKER E ELIZÂNGELA SANTOS
Hoje, a rua Santa Luzia é um dos principais corredores comerciais de Juazeiro do Norte, com a presença de lojas de vários segmentos FOTOS: ARQUIVO DANIEL WALKER E ELIZÂNGELA SANTOS
Os velhos casarões vão se esgotando e dando lugar a prédios modernos. A fase é de verticalização, com os edifícios redesenhando a paisagem urbana. Do alto do Horto, como disse em tom forte o cantor Luiz Gonzaga, o padrinho está vivo. O visionário de uma terra que se suplanta e renasce a cada dia maior, nos empreendimentos que se multiplicam em todos os cantos da cidade. A população, que no início de sua formação se encontrava em cerca de 95% no campo, tem essa lógica invertida nos tempos atuais.
A centenária Juazeiro é diferente da maioria das cidades do Cariri. A paisagem é árida. Quase não há floresta. O geossítio da Colina do Horto privilegia o espaço onde há um pouco dessa natureza. Por iniciativa da administração do Horto, foi iniciado, há alguns anos, um projeto de reflorestamento da área.
Juazeiro passou a ser o terceiro polo calçadista do Brasil. As fábricas saíram dos fundos dos quintais e formalizam mão-de-obra. São mais de 16 mil empregos diretos neste setor. O comércio atacadista traz empresas de grupos internacionais. O perfil do empreendedor local avança, agrega força em rede, para competir. É uma nova realidade. O Juazeiro muda. Uma terra em constante metamorfose.
Investimentos
A iniciativa privada investe por todos os lados, com novos empreendimentos. Além da duplicação do atual Cariri Shopping, com investimentos de R$ 70 milhões, mais um, em breve, será iniciado, com o nome da cidade. Serão mais cerca de R$ 50 milhões investidos. No próximo dia 12 de julho, mais um grande supermercado, com uma cadeia de lojas, será inaugurado. O Hiperbompreço, da rede Walmart, está tendo investimentos de mais de R$ 30 milhões na cidade.
Para o economista Micaelson Lacerda, o Município de Juazeiro do Norte vem apresentando uma dinâmica econômica singular nos últimos anos.
Ele explica que esse dinamismo é decorrente, principalmente, da indústria e dos serviços em conjunto com importantes investimentos públicos dos governos Federal e do Estado, nos últimos anos.
Fique por dentro
Metropolitana
Criada por uma Lei Complementar Estadual nº 78, de 29 de junho de 2009. A Região Metropolitana do Cariri (RMC) surgiu a partir da interligação entre os Municípios de Juazeiro do Norte, Crato e Barbalha, denominada Crajubar. Somando-se a eles, as cidades limítrofes situadas no Cariri cearense: Caririaçu, Missão Velha, Farias Brito, Jardim, Nova Olinda e Santana do Cariri. Tem como área de influência a região Sul do Ceará e é divisa entre o Ceará e Pernambuco. O Município do Crato é o maior em área, com 1.009 km². Juazeiro do Norte é o menor Município, com 248km², e também o mais populoso, com 249.936 habitantes. Nova Olinda é o de menor população: 14.256 habitantes. Juazeiro, pelo seu desenvolvimento, se destaca neste contexto.
População
250Mil habitantes é a estimativa populacional da cidade de Juazeiro do Norte, segundo dados do último Censo, em 2010. É a terceira cidade mais populosa do Ceará e a maior do interior
Por Elizângela Santos

JUAZEIRO DO NORTE – CEARÁ: MILAGRE´ DA HÓSTIA Fenômeno não tinha explicação científica


Juazeiro do Norte. Após longos estudos, depois de testemunhar o fenômeno da transformação da hóstia em sangue por diversas vezes, a comissão concluiu que a ciência não tinha como explicar os fatos extraordinários ocorridos em Juazeiro. O médico Marcos Rodrigues Madeira, por sua conta e risco, mandou publicar em jornais da Capital e do Recife, suas conclusões.
Dom Joaquim José Vieira, que era segundo bispo de Fortaleza com jurisdição em todo o Ceará, enviou uma comissão da própria Igreja para averiguar os fatos, liderada pelos padres Clicério da Costa Lobo e Francisco Ferreira Antero, os melhores teólogos do Ceará, para analisar o caso. A conclusão desta primeira comissão eclesial, que permaneceu durante mais de um mês em Juazeiro entrevistando pessoas, assistindo as transformações das hóstias e verificando outros fenômenos que aconteciam com a beata Maria de Araújo, foi que os fatos eram milagre. Dom Joaquim não aprovou o longo relatório escrito por estes padres e nomeou uma segunda comissão. Após três dias, nos quais deu a comunhão à beata, os encarregados, padres Antônio Alexandrino de Alencar e Manuel Cândido, declararam que o fenômeno de sangramento da hóstia não acontecera. Posteriormente, o bispo dom Joaquim teria dito que, se naquela situação a hóstia não sangrou, então todos os outros episódios em que a hóstia havia sangrado eram fraudulentos.

Foi no momento da comunhão, durante a celebração da missa, que a hóstia da beata Maria de Araújo se transformava em sangue

Foi no momento da comunhão, durante a celebração da missa, que a hóstia da beata Maria de Araújo se transformava em sangue

A beata argumentou que o “milagre” não aconteceu porque um dos padres que acompanhavam a comunhão não estava em estado de graça. Em represália, conta-se que Maria de Araújo foi punida com 12 pancadas de palmatória nas mãos. Não existe, segundo a psicóloga Maria do Carmo, prova documental sobre este episódio. A atual diretora da Casa de Caridade do Crato, madre Carmelina Feitosa, confirma que, segundo a história, a beata foi enclausurada na Casa de Caridade, por ordem de dom Joaquim, que também suspendeu as ordens sacerdotais de Padre Cícero, monsenhor Monteiro, padre Costa Lobo e padre Antero, porque não deixaram de acreditar que o fenômeno era verdadeiro milagre.

Novo Juazeiro

Mesmo diante da negação do “milagre” por parte da Igreja, Juazeiro virou centro de peregrinação. A notícia sobre o fato se espalhou como um rastilho de pólvora. Leva de romeiros chegavam diariamente ao povoado que, para eles, era o chão sagrado, a terra prometida, a Canaã nordestina. A cidade se transformou no santuário sagrado, onde os nordestinos depositavam suas esperanças, frustrações e promessas. Conforme o escritor americano Ralph de La Cava, autor do livro “Os milagres do Joaseiro”, a população do povoado triplicou em menos de um ano.

Com o crescimento de Juazeiro, começa a via-crúcis do Padre Cícero, sobre quem desaba uma campanha de inveja, intrigas e perseguições. Suspenso da ordem, proibido de oficiar atos religiosos, Padre Cícero a tudo se submeteu com resignação. Foi à Roma, por convocação superior, lá permanecendo quase nove meses. Lá reconquistou o direito de celebrar missa e, regressando a Juazeiro, estava convicto de que seria reabilitado pela Igreja. Por fim, novas sanções lhe foram impostas, sendo definitivamente suspenso da ordem.

Os romeiros, que não podiam encontrá-lo na igreja, se conformavam em ouvi-lo diariamente em sua casa, em busca de conselhos, bem como de proteção espiritual. E ele atendia a todos. Recebia e distribuía esmolas. Aconselhava-os oralmente e por escrito. Era o padrinho de todos. Logo a seguir, privado dos místeres religiosos, Padre Cícero dedicou-se à política, atendendo a apelos dos amigos, como Antônio Nogueira Acioli, substituído na chefia da presidência do Estado do Ceará pelo coronel Franco Rabelo, mais para evitar que mãos estranhas conduzissem os destinos de sua cidade, com a mesma ordem que ele conseguira até então.

Proibido de celebrar, Padre Cícero ingressou na vida política. Como explicou no seu testamento, o fez para atender aos insistentes apelos dos amigos e na hora em que os juazeirenses esboçavam o movimento de emancipação política. O jornalista e historiador, Daniel Walker, destaca que depois da independência de Juazeiro, em 22 de julho de 1911, Padre Cícero foi eleito prefeito do recém-criado Município. Além de prefeito, ocupou a vice-presidência do Ceará. Sobre sua participação na Revolução de 1914, ele afirmou categoricamente que a chefia do movimento coube ao doutor Floro Bartolomeu da Costa, seu grande amigo.

A Revolução de 1914 foi planejada pelo Governo Federal com o objetivo de depor o presidente do Ceará, coronel Franco Rabelo. Com a vitória da Revolução, Padre Cícero reassumiu o cargo de prefeito, do qual havia sido retirado pelo governo deposto, e seu prestígio cresceu. Sua casa, antes visitada apenas por romeiros, passou a ser procurada, também, por políticos e autoridades diversas. O historiador Daniel Walker lembra que era grande o volume de correspondências que Padre Cícero recebia e mandava. (AV) (Antonio vicelmo, diário do Nordeste)

Juazeiro do Norte-CE: ´GUERRA DE 1914´ Moradores lutaram pela independência

Com a conquista da independência, Padre Cícero, que já se destacava em Juazeiro, se tornou um pacificador com o pacto dos coronéis ao iniciar sua administração na cidade  ELIZÂNGELA SANTOS
Com a conquista da independência, Padre Cícero, que já se destacava em Juazeiro, se tornou um pacificador com o pacto dos coronéis ao iniciar sua administração na cidade ELIZÂNGELA SANTOS
Juazeiro do Norte Uma cidade que construiu um processo de independência, que se deu de fato apenas em 1914. O que ficou conhecida como a “Guerra de 14″ levou homens, mulheres, jovens e idosos à lutarem pelo ideal de independência política. O dia 22 de julho de 2011 marca os 100 anos de elevação de Juazeiro à categoria de Município. Nesse momento, a cidade já tinha um comércio em desenvolvimento, com o incentivo e visão do Padre Cícero. A guerra chegou a contar com estrategista que atuou na Guerra de Canudos. A muralha de pedra funcionou de forma a evitar mais derramamento de sangue.
Das três árvores de juazeiro ao firme processo de desenvolvimento, Juazeiro do Norte tem passado, nos últimos anos, por profundas mudanças que começaram dentro de um processo ideal marcado pelo próprio sacerdote. Segundo o pesquisador e escritor, Daniel Walker, em seu livro “História da Independência de Juazeiro do Norte”, lançado durante as comemorações do centenário da cidade, em 1909 foi apresentado um documento na Assembleia Legislativa do Ceará, em que já se pedia apoio pela autonomia municipal de Juazeiro. Esse documento, conforme conta, foi encontrado pelo escritor americano Ralph Della Cava nos arquivos do Colégio Salesiano. No documento é citado que antes de se tornar independente da cidade do Crato, Juazeiro já se encontrava em acelerado processo de desenvolvimento, graças ao Padre Cícero.
Nesse período, conta Walker, a cidade já contava com uma farmácia, um médico residente, um jornal, várias instituições religiosas, como o Apostolado da Oração, fundado pelo Padre Cícero, um escritório de intercâmbio comercial com a capital e uma instituição civil para cuidar do engrandecimento do lugar. Hoje, mesmo não sendo tão representativa, a zona rural tinha uma produção significativa. “Juazeiro possuía 22 engenhos de açúcar empenhados na produção de rapadura e subprodutos alcoólicos e cerca de 60 locais equipados para preparar farinha de mandioca. Além do cultivo do arroz, feijão e milho, a cidade se destacava na produção de borracha de maniçoba e algodão”, diz. Para se ter uma ideia, conta ele, o Padre Cícero chegou a introduzir a borracha no Cariri, na primeira metade do século XX. E foi graças ao seu empenho, conforme Walker, que a cultura do algodão, que havia sido praticamente abandonada, foi retomada entre 1908 a 1911.
Mas a participação do médico que veio de Salvador, Floro Bartolomeu da Costa, que para muitos era visto como um carrasco, foi essencial dentro do processo de emancipação. Começou a fazer os seus atendimentos na cidade e rapidamente se tornou figura conhecida e amigo próximo do “Padim”. Foi essencial dentro do processo de emancipação. Como tantos outros que vibraram e lutaram pelo processo de emancipação, entre eles, Padre Alencar Peixoto e os pequenos comerciantes, que reagiram aos impostos que eram pagos ao Crato.
Prefeito
O médico baiano, ressalta Walker, em primeiro momento, desde o processo de independência e de acordo com os antepassados, era quem ficava à frente da administração de Juazeiro, mesmo o prefeito sendo o sacerdote. “O Padre Cícero, para a época, já estava com a idade um pouco avançada e o dr. Floro bem mais novo, recém-chegado a Juazeiro, praticamente administrou Juazeiro”, diz.
Mas, por trás de todo o processo de transformação, o mentor era mesmo o Padre Cícero. E ele, segundo Daniel, chegou a fazer alguns melhoramentos na cidade. Outro ponto que o escritor considera importante na época do Padre Cícero, foi o planejamento urbano da cidade. Ele projetou as primeiras ruas de Juazeiro. Deixou a base para a cidade se expandir.
Por ELIZÂNGELA SANTOS


Juazeiro do Norte-CE: POLO DE DESENVOLVIMENTO Urbanização compromete memória local
POR JOTALOPES

– MAIO 29, 2011PUBLICADO EM: CIDADES
A expansão comercial, industrial e populacional não acompanhou a conservação da arquitetura de Juazeiro

RUA PADRE Cícero, nos anos 30, era palco das grandes realizações e comemorações da cidade, como o desfile dos estudantes, na data cívica 7 de Setembro FOTO: ACERVO DE DANIEL WALKER
A cidade de Juazeiro é de pouca geografia e muita história”. A lembrança da frase de monsenhor Murilo de Sá Barreto, pelo pesquisador Daniel Walker, pode responder à dinâmica de mudanças para a adequação do desenvolvimento ao lugar. Ao repassar as paisagens antigas da velha Juazeiro, quase nada resta como lembrança.
A memória foi apagada em nome do desenvolvimento contínuo. E esse crescimento passou a ter impulso, principalmente, após o milagre de 1889, com o sangramento da hóstia ofertada pelo Padre Cícero à beata Maria Araújo. A movimentação aumentou, a polêmica se espalhou e todos queriam conhecer o “padre santo”, que acolhia quem chegava.
O processo de ocupação, segundo Daniel Walker, começou a acontecer e muitos vieram de fora residir em Juazeiro. Talvez essa realidade elucidasse um pouco a falta de apego ao patrimônio construído. Em constante mutação, se tornou comum a derrubada de prédios antigos para o estabelecimento de casas comerciais.
Em poucas ruas podem ser encontrados prédios que ligam o presente ao passado. Na Rua São José, por exemplo, no Centro da cidade, pode ser visto o Museu Padre Cícero, local onde o sacerdote passou seus dois últimos anos de vida. Hoje abriga parte dos seus pertences. Logo abaixo, na mesma rua, um velho prédio onde hoje funciona um abrigo para idosos.
Raridades

Atualmente, uma das saídas do Centro de Juazeiro, a Rua Padre Cícero abriga consultórios, além do comércio. É, também, um dos trechos mais congestionados da cidade FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS
Na Rua Padre Cícero, outra casa intacta, conforme o professor Daniel, é a da artista plástica, Assunção Gonçalves. Ela, contemporânea do Padre Cícero, está com 95 anos. Dona Assunção resgatou em uma das suas telas a imagem do início da cidade, a partir de depoimentos de antepassados seus. Uma pequena vila, a então capelinha de Nossa Senhora das Dores, que deu origem à Basílica Menor atual, e às três árvores de juazeiro, simbólica árvore do centenário, disseminada por meio de projeto para o Nordeste.
O pesquisador também lembra da oportunidade que se teve de tombamento da Capela do Socorro, junto com a Casa dos Milagres. Um conjunto que era visto como patrimônio foi descaracterizado. Isso interrompeu o processo de reconhecimento da área, com a inclusão de uma torre com relógio à frente da capela. Ao longo dos anos, foram várias construções em volta de uma área antes descampada. Nas proximidades, foi construída a Praça do Cinquentenário. O marco das cinco décadas de Juazeiro teve seu espaço comprimido por uma escola e o Memorial Padre Cícero.


Ação privada

A única casa tombada na cidade aconteceu por iniciativa da própria família. O casarão da família Bezerra, na Rua Padre Cícero, visivelmente bem preservado, já virou até atração turística no período natalino, como a casa de Papai Noel. Outras ruas, como a Santa Luzia e a Conceição, preservam construções antigas de algumas casas.
A violência contra a memória revela a falta de preocupação que nunca se teve com o patrimônio, conforme conta Daniel. “Falta zelo. Não há apego afetivo. Os prédios antigos deram espaço para os comerciais”, diz.
Há pouco mais de dois anos, um dos últimos casarões, localizado na Rua Padre Cícero, foi demolido para dar lugar a um estacionamento. E os herdeiros das casas mais antigas passaram à frente o patrimônio que lhes restaram. A sanha imobiliária não perdoa o que vê pela frente. A história se constrói em nome do progresso. (E.S.)
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Centro religioso
Juazeiro do Norte teve sua emancipação política em 22 de julho de 1911. Graças à figura de Padre Cícero Romão Batista, é considerado um dos maiores centros de religiosidade popular da América Latina, atraindo quase dois milhões de romeiros por ano. O Município se localiza na Região Metropolitana do Cariri, no sul do Estado, a 514km da Capital, Fortaleza. Sua área é de 248,558Km², a uma altitude média de 377,3 metros. A população, estimada em 249.936 habitantes, o torna o terceiro Município mais populoso do Ceará, a maior cidade do interior cearense e a centésima maior do Brasil. A taxa de urbanização é de 95,3%. Tem sua economia focada, principalmente, no comércio, com presença de grandes redes, e também na indústria.
PERFIL INDEFINIDO
Arquitetura segue estilo eclético
Uma cidade eclética. Assim descreve o arquiteto Jorge Mauro, que há mais de 30 anos adotou a terra do “Padim” como um lugar seu. Natural de Crateús, na época em que chegou à cidade, brincava com os amigos que encontrava. “Eram, em sua maioria, de outras cidades do Brasil. No meio de tantos, tinha um juazeirense”, diz.
Ele chegou a projetar muitos prédios públicos. Não esteve na elaboração do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano (PDDU) de Juazeiro, no ano 2000. Mas diz que as mudanças que poderiam acontecer, por conta das irregularidades de muitas construções, são praticamente impossíveis a essa altura. Não teria como indenizar tanta gente, na demolição de prédios. Por conta disso, praticamente não foi posto em prática.
Os velhos casarões ainda existentes na cidade lembram em alguns detalhes o estilo neoclássico. Só lembram mesmo. Um deles, construído entre as ruas São Pedro e do Cruzeiro (vizinho à Câmara Municipal), se perde em meio às novas edificações.
Por ser uma cidade nova, em relação ao Crato, por exemplo, já que nasceu do antigo lugarejo de Tabuleiro Grande, na época território cratense, não há a menor inspiração em suas construções do período imperial, como é o caso também de Barbalha.
Perfil
Para Jorge Mauro, ao longo do centenário, Juazeiro não chegou a desenvolver um perfil arquitetônico. Os senhores de engenho não habitaram por essas paragens. As lembranças, quase de passagem nas construções mais antigas, trazem um pouco do neoclássico e também o estilo colonial. Tudo em pequenos detalhes.
“Uma cidade sem memória e que hoje representa um verdadeiro caos urbano”. O arquiteto se refere à quase total ausência de edificações da antiga Juazeiro e ao processo rápido de urbanização, sem planejamento. Em cinco anos, diz ele, se não houver mudanças imediatas e novas construções, a cidade simplesmente para. O arquiteto destaca a construção de vias alternativas para o fluxo de veículos. São apenas uma via principal para o Centro, a Rua São Pedro, e duas saídas, as ruas São Paulo e Padre Cícero. Pedestres e motoristas, muitas vezes, dividem o mesmo espaço. “Simplesmente inchou”. (E.S)
Diário do Nordeste

Cariri comemora aniversário do Padre Cícero

Mesmo com menor público, em comparação às romarias, a Semana do Padre Cícero tem início a partir de hoje
Juazeiro do Norte. A festa de aniversário dos 166 anos do Padre Cícero começa hoje, com abertura da Exposição Fotográfica sobre o "Padim" (ExpoCícero), com mais de 100 fotos do sacerdote, algumas delas inéditas. O material pertence a colecionadores e historiadores do município. As comemorações vão acontecer, de 18 a 24, na XXVIII Semana do Padre Cícero. Este momento, mesmo com uma participação mínima de romeiros, é marcado pela alegria e uma forma de agradecimento do povo de Juazeiro ao fundador da cidade. É também um período que se caracteriza pela fase de plantio nos estados nordestinos, impedindo uma participação maior dos romeiros, em relação ao número de fiéis das romarias tradicionais.
Segundo o professor Daniel Walker, pesquisador e escritor da história do religioso e de Juazeiro, a festa é uma forma de agradecimento ao Padre Cícero, e se caracteriza pela alegria. Já as tradicionais romarias, estão mais associadas à saudade. Mas, ao longo dos 18 anos de realização da Semana, com a inserção do poder público, houve um incremento nas atividades. Além das atividades nas escolas, este ano o evento se amplia, levando debate para a Universidade Federal do Ceará (UFC). No dia 22, às 19 horas, acontecerá a mesa redonda, com o tema "Padre Cícero, Padroeiro das Florestas", com pesquisadores, docentes e alunos.
Daniel Walker afirma que, em vida, o Padre Cícero já comemorava em sua residência o aniversário, com grande participação popular. Após a sua morte, as pessoas continuaram comemorando. "As romarias têm um número maior de pessoas, por ser outra forma de expressão, que se caracteriza pela saudade", reafirma ele. No dia da missa de aniversário, 24, às 6 horas, há a presença de romeiros, mas são mais funcionários públicos, aposentados, já que a grande maioria dos devotos provém das áreas rurais nordestinas.
Ele recorda a infância do "Padim", com a prática de soltar balões na noite de aniversário, abolida por conta dos riscos de incêndio. O show pirotécnico continua. O bolo gigante, coordenado por Mãe Cicinha, e feito de forma coletiva, é cortado no dia 23. Uma festa que há 22 anos acontece, no Bairro Socorro, nas proximidades da Capela, acompanhada de uma seresta comemorativa.
Na Praça do Socorro, ocorrem apresentações dos filmes: Dona Ciça do Barro Cru e Patativa - Ave Poesia, dia 23, às 18h30. Nos primeiros momentos, quando era apenas por iniciativa popular, o devoto Severino Alves, já falecido, saía no comércio solicitando apoio para as comemorações. A participação dos grupos de tradição popular também acontece. Há grupos que vêm de fora para reverenciar a figura do Padre Cicero neste dia.
Durante o mês de comemoração do aniversário do sacerdote, a tradicional missa do dia 20, que lembra a sua morte, no dia 20 de julho, chega a ter grande quantidade de fiéis. Esse momento fez parte de uma de suas recomendações, para haver celebração. No dia 24, feriado na cidade, a alvorada festiva acorda a população. Às 6 horas, a missa acontece na Praça da Capela do Socorro, onde estão os restos mortais do padre.
No mesmo dia, acontece a Corrida Padre Cícero, com saída do Crato em direção ao Juazeiro, às 8 horas, a tradicional Procissão das Flores, às 17 horas, saindo da sede da entidade organizadora, Sociedade Padre Cícero. Segundo o secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, este ano há uma solicitação para que os participantes levem imagens do padre e fotos, além das flores. É neste dia em que há uma participação popular mais expressiva.
Gratidão
"Sempre considerei esse momento uma festa de gratidão do povo de Juazeiro do Norte"
Daniel Walker
Pesquisador e escritor
MAIS INFORMAÇÕES
Secretaria de Turismo e Romaria, Praça do Cinquentenário, S/N
Socorro, Juazeiro do Norte
(88) 3511.4040
Reportagem e foto: Elizângela Santos
Fonte: Diário do Nordeste
Nota: Programação: http://www.juazeiro.ce.gov.br/

sábado, 17 de março de 2012

AL realiza exposição “Juazeiro do Norte: Floro Bartolomeu e a Virada Política”



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A Assembleia Legislativa do Ceará homenageia Juazeiro do Norte, cidade que completou 100 anos de emancipação política em julho de 2011, com a exposição Juazeiro do Norte: Floro Bartolomeu e a Virada Política. Iniciativa do Memorial da Assembleia Legislativa do Ceará Deputado Pontes Neto (Malce). A mostra será aberta dia 16 e segue até 23 de março, no hall do prédio Governador César Cals, da AL.


"Mesmo com a influência do Padre Cícero e a habitual ênfase de sua importância nos estudos e trabalhos sobre Juazeiro, ressaltaremos nesta exposição o papel de Floro Bartolomeu, no âmbito do processo político em que a cidade foi inserida, ao longo das três primeiras décadas do século XX", explica o presidente do Malce, Osmar Diógenes.

A exposição, que também presta homenagem à população do município, reúne 20 paineis, distribuídos em temas, que falam da independência, sediação de Juazeiro, conhecida como Guerra de 1914, além de apresentar cópias de documentos e jornais da época. Segundo o historiador do Malce, Paulo Fernandes, parte do que será mostrado na exposição está no acervo dos pesquisadores de Juazeiro do Norte,  Daniel Walker, Renato Cassimiro, Raimundo Araújo e Paulo Machado. Ele destaca ainda o apoio recebido da Comissão do Centenário de Juazeiro, por meio de Geraldo Menezes Barbosa.

A mostra, que também homenageia a população da Cidade, faz uma breve análise do contexto político em que a cidade estava inserida nas primeiras décadas do século XX. Propõe também pensar a história de Juazeiro sob a influência política e administrativa de Floro Bartolomeu da Costa, médico baiano que participou das principais decisões locais entre 1908, quando chegou a Juazeiro, e 1926, ano de sua morte. Além da homenagem ao centenário da cidade, a mostra oferece ao público, a produção de inúmeros estudos e eventos sobre a história de um dos principais destinos religiosos do Brasil.

Em pouco mais de 100 anos, Juazeiro do Norte se tornou uma das maiores cidades do Estado. De povoado, com uma pequena capela e pouco mais de 30 casas no início de 1870, a cidade mais influente da região do Cariri alcançou um dos maiores crescimentos urbanos da história do Ceará.

O historiador Paulo Roberto Fernandes explica que a força do Padre Cícero nesse processo relegou a segundo plano o médico baiano Floro Bartolomeu, que teve grande influência na condução dos rumos da política local, principalmente após 1911. Segundo ele, Floro mantinha relações muito estreitas com Padre Cícero, o que possibilitou aumentar progressivamente seu poder no Cariri e no Ceará.

Por: Wilson Melo
 www.cidadeurgente.net

Centro de Referência e Memória da Cidade de Juazeiro do Norte

POSTADO POR CARLA FAÇANHA ON 14:46:00
Este post faz referência a reportagem exibida no dia de hoje do caderno Regional online do Diário do Nordeste. Escrita pela reporter Elizângela Santos, a foto postada também é de autoria da reporter. A reportagem em questão faz referência ao acervo doado ao curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Campus Avançado da UFC Cariri, pelos pesquisadores Renato Casimiro e Daniel Walker. Acho de extrema importância divulgar os feitos do curso de Biblioteconomia do Cariri, que a cada dia vem se colocando como mediador da informação, se inserindo com toda responsabiblidade social que compete ao profissionais da informação cooperando com o perpetuar da cultura caririense.


"Um acervo considerável da história de Juazeiro do Norte e do Cariri foi doado, no início do mês, ao curso de Biblioteconomia da Universidade Federal do Ceará (UFC), Campus Avançado da UFC Cariri, pelos pesquisadores Renato Casimiro e Daniel Walker. A solenidade contou com uma exposição, com parte do acervo entregue à UFC.
O material fará parte do Centro de Referência e Memória da Cidade de Juazeiro do Norte, que será inaugurado em 2011, em comemoração ao centenário de Juazeiro. O centro vai servir como um espaço de disseminação da cultura e história da região, vinculado ao Laboratório de Ciência da Informação do Curso de Biblioteconomia da UFC Cariri.
O material inclui desde bibliografias, fotos, jornais, xilogravuras, cordéis, material em áudio e vídeo até esculturas de artistas como o Mestre Noza e documentos originais da cidade, como cartas do Padre Cícero. O acervo que se encontrava emprestado ao Centro Cultural Banco do Nordeste, pertencente ao professor Renato Casimiro, com 59 esculturas do Mestre Noza, também será repassado para a UFC.
O trabalho associado dos dois intelectuais de colecionar material histórico, cultural e social continua. Segundo o professor Daniel Walker, ele e Renato Casimiro continuarão a reunir acervos importantes e poderão fazer novas doações.
Só para se ter uma ideia, são mais de oito mil cordéis, xilogravuras de todos os cordelistas de Juazeiro e mais de duas mil imagens digitalizadas, além de obras de xilógrafos do Crato, como o mestre Walderêdo Gonçalves. Além disso, serão doados 15 mil exemplares de jornais, desde os primeiros registrados na história da cidade aos atuais. Os jornais servirão para compor o acervo para o curso de Jornalismo, a ser iniciado em 2010. Além disso, foram doados mais de 20 mil documentos, incluindo cartas originais e telegramas de personalidades como o Padre Cícero.
São mais de 40 anos da 'mania' de juntar material, segundo Renato Casimiro. Daniel Walker afirma que tudo começou nos anos 70, com uma exposição sobre Juazeiro antigo. 'Ficamos felizes, comovidos, porque temos a certeza de que estamos entregando à instituição certa', ressalta. A ideia tem servido de incentivo. O repentista e violeiro Pedro Bandeira também cedeu o seu acervo".




O novo livro de Daniel Walker – Por Emerson Monteiro

Será hoje (28 de outubro de 2010), às 20h, no Hotel Verdes Vales, em Juazeiro do Norte, o lançamento do livro História da Independência de Juazeiro, escrito por Daniel Walker, uma obra que reúne os principais elementos a propósito do marcante acontecimento de 100 anos, fator preponderante na formação do Cariri da atualidade. Composta de ilustrações fotográficas raras e valiosas, vem recheada de achados biográficos, depoimentos, citações jornalísticas e narrativas reveladoras, o que, decerto, enriquecerá sobremaneira o vasto acervo até aqui consolidado.
Daniel Walker compõe o elenco dos escritores da forte literatura caririense responsável pela preservação do acervo da história social deste lugar. Ao lado de outros quais Geraldo Menezes Barbosa, Napoleão Tavares Neves, Padre Antônio Gomes de Araújo, Raimundo Araújo, Renato Casimiro, Otacílio Anselmo, Nertan Macedo, J. de Figueiredo Filho, Armando Lopes Rafael, Raimundo de Oliveira Borges, Joaryvar Macedo e outros de inestimável valia, forma o grupo responsável pela composição da nossa historiografia, dentro dos moldes técnicos da pesquisa acadêmica, concedendo à posteridade acervo fundamental à interpretação dos fenômenos determinantes destes séculos mais recentes, as bases da nossa civilização interiorana. Pelas mãos desses autores, encetadas em suas produções criteriosas, desfilam, pois, peças imprescindíveis para a formulação da realidade histórica regional.
Nascido em Juazeiro do Norte em 06 de setembro de 1947, desde jovem Daniel se volta às lides jornalísticas e literárias, redigindo com intensidade também para o rádio e para a imprensa escrita de Fortaleza, correspondente que foi de vários jornais da capital do Estado.
Junto à Universidade Regional do Cariri exerceu o magistério, a pesquisa, e dedicou-se aos estudos da história juazeirense, publicando diversos trabalhos consagrados sobre a vida de Padre Cícero Romão Batista, além de outros de cunho didático-pedagógico e de temas da sua área de formação universitária, a biologia, graduado em História Natural pela Faculdade de Filosofia do Crato, com especialização em Ciências, pela Universidade Federal do Ceará.
Dentre as fontes analisadas por Daniel Walker para a contextualização do material que ora oferece ao público está a coleção do jornal O Rebate, órgão fundamental para a fermentação das ideias da independência do Juazeiro e para a formação institucional do município posterior. Em vista da importância do conteúdo de O Rebate, a comissão responsável pelo centenário juazeirense cuidou de resgatar toda a coleção, em edições fac-similadas.
Assim, o trabalho independente, realizado pela gráfica HB, de Juazeiro do Norte, é uma bem cuidada edição de 196 páginas, que visa homenagear o município por ocasião do centenário, porquanto, em 22 de julho de 1911, se dera a sua emancipação política, antecedida das movimentações que busca com zelo e honesta preocupação oferecer subsídios a futuras investigações.
URL curta: http://www.crato.org/chapadadoararipe/?p=30281