quinta-feira, 14 de junho de 2012


Juazeiro do Norte-CE: ´GUERRA DE 1914´ Moradores lutaram pela independência

Com a conquista da independência, Padre Cícero, que já se destacava em Juazeiro, se tornou um pacificador com o pacto dos coronéis ao iniciar sua administração na cidade  ELIZÂNGELA SANTOS
Com a conquista da independência, Padre Cícero, que já se destacava em Juazeiro, se tornou um pacificador com o pacto dos coronéis ao iniciar sua administração na cidade ELIZÂNGELA SANTOS
Juazeiro do Norte Uma cidade que construiu um processo de independência, que se deu de fato apenas em 1914. O que ficou conhecida como a “Guerra de 14″ levou homens, mulheres, jovens e idosos à lutarem pelo ideal de independência política. O dia 22 de julho de 2011 marca os 100 anos de elevação de Juazeiro à categoria de Município. Nesse momento, a cidade já tinha um comércio em desenvolvimento, com o incentivo e visão do Padre Cícero. A guerra chegou a contar com estrategista que atuou na Guerra de Canudos. A muralha de pedra funcionou de forma a evitar mais derramamento de sangue.
Das três árvores de juazeiro ao firme processo de desenvolvimento, Juazeiro do Norte tem passado, nos últimos anos, por profundas mudanças que começaram dentro de um processo ideal marcado pelo próprio sacerdote. Segundo o pesquisador e escritor, Daniel Walker, em seu livro “História da Independência de Juazeiro do Norte”, lançado durante as comemorações do centenário da cidade, em 1909 foi apresentado um documento na Assembleia Legislativa do Ceará, em que já se pedia apoio pela autonomia municipal de Juazeiro. Esse documento, conforme conta, foi encontrado pelo escritor americano Ralph Della Cava nos arquivos do Colégio Salesiano. No documento é citado que antes de se tornar independente da cidade do Crato, Juazeiro já se encontrava em acelerado processo de desenvolvimento, graças ao Padre Cícero.
Nesse período, conta Walker, a cidade já contava com uma farmácia, um médico residente, um jornal, várias instituições religiosas, como o Apostolado da Oração, fundado pelo Padre Cícero, um escritório de intercâmbio comercial com a capital e uma instituição civil para cuidar do engrandecimento do lugar. Hoje, mesmo não sendo tão representativa, a zona rural tinha uma produção significativa. “Juazeiro possuía 22 engenhos de açúcar empenhados na produção de rapadura e subprodutos alcoólicos e cerca de 60 locais equipados para preparar farinha de mandioca. Além do cultivo do arroz, feijão e milho, a cidade se destacava na produção de borracha de maniçoba e algodão”, diz. Para se ter uma ideia, conta ele, o Padre Cícero chegou a introduzir a borracha no Cariri, na primeira metade do século XX. E foi graças ao seu empenho, conforme Walker, que a cultura do algodão, que havia sido praticamente abandonada, foi retomada entre 1908 a 1911.
Mas a participação do médico que veio de Salvador, Floro Bartolomeu da Costa, que para muitos era visto como um carrasco, foi essencial dentro do processo de emancipação. Começou a fazer os seus atendimentos na cidade e rapidamente se tornou figura conhecida e amigo próximo do “Padim”. Foi essencial dentro do processo de emancipação. Como tantos outros que vibraram e lutaram pelo processo de emancipação, entre eles, Padre Alencar Peixoto e os pequenos comerciantes, que reagiram aos impostos que eram pagos ao Crato.
Prefeito
O médico baiano, ressalta Walker, em primeiro momento, desde o processo de independência e de acordo com os antepassados, era quem ficava à frente da administração de Juazeiro, mesmo o prefeito sendo o sacerdote. “O Padre Cícero, para a época, já estava com a idade um pouco avançada e o dr. Floro bem mais novo, recém-chegado a Juazeiro, praticamente administrou Juazeiro”, diz.
Mas, por trás de todo o processo de transformação, o mentor era mesmo o Padre Cícero. E ele, segundo Daniel, chegou a fazer alguns melhoramentos na cidade. Outro ponto que o escritor considera importante na época do Padre Cícero, foi o planejamento urbano da cidade. Ele projetou as primeiras ruas de Juazeiro. Deixou a base para a cidade se expandir.
Por ELIZÂNGELA SANTOS

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