quinta-feira, 14 de junho de 2012

JUAZEIRO DO NORTE – CEARÁ: MILAGRE´ DA HÓSTIA Fenômeno não tinha explicação científica


Juazeiro do Norte. Após longos estudos, depois de testemunhar o fenômeno da transformação da hóstia em sangue por diversas vezes, a comissão concluiu que a ciência não tinha como explicar os fatos extraordinários ocorridos em Juazeiro. O médico Marcos Rodrigues Madeira, por sua conta e risco, mandou publicar em jornais da Capital e do Recife, suas conclusões.
Dom Joaquim José Vieira, que era segundo bispo de Fortaleza com jurisdição em todo o Ceará, enviou uma comissão da própria Igreja para averiguar os fatos, liderada pelos padres Clicério da Costa Lobo e Francisco Ferreira Antero, os melhores teólogos do Ceará, para analisar o caso. A conclusão desta primeira comissão eclesial, que permaneceu durante mais de um mês em Juazeiro entrevistando pessoas, assistindo as transformações das hóstias e verificando outros fenômenos que aconteciam com a beata Maria de Araújo, foi que os fatos eram milagre. Dom Joaquim não aprovou o longo relatório escrito por estes padres e nomeou uma segunda comissão. Após três dias, nos quais deu a comunhão à beata, os encarregados, padres Antônio Alexandrino de Alencar e Manuel Cândido, declararam que o fenômeno de sangramento da hóstia não acontecera. Posteriormente, o bispo dom Joaquim teria dito que, se naquela situação a hóstia não sangrou, então todos os outros episódios em que a hóstia havia sangrado eram fraudulentos.

Foi no momento da comunhão, durante a celebração da missa, que a hóstia da beata Maria de Araújo se transformava em sangue

Foi no momento da comunhão, durante a celebração da missa, que a hóstia da beata Maria de Araújo se transformava em sangue

A beata argumentou que o “milagre” não aconteceu porque um dos padres que acompanhavam a comunhão não estava em estado de graça. Em represália, conta-se que Maria de Araújo foi punida com 12 pancadas de palmatória nas mãos. Não existe, segundo a psicóloga Maria do Carmo, prova documental sobre este episódio. A atual diretora da Casa de Caridade do Crato, madre Carmelina Feitosa, confirma que, segundo a história, a beata foi enclausurada na Casa de Caridade, por ordem de dom Joaquim, que também suspendeu as ordens sacerdotais de Padre Cícero, monsenhor Monteiro, padre Costa Lobo e padre Antero, porque não deixaram de acreditar que o fenômeno era verdadeiro milagre.

Novo Juazeiro

Mesmo diante da negação do “milagre” por parte da Igreja, Juazeiro virou centro de peregrinação. A notícia sobre o fato se espalhou como um rastilho de pólvora. Leva de romeiros chegavam diariamente ao povoado que, para eles, era o chão sagrado, a terra prometida, a Canaã nordestina. A cidade se transformou no santuário sagrado, onde os nordestinos depositavam suas esperanças, frustrações e promessas. Conforme o escritor americano Ralph de La Cava, autor do livro “Os milagres do Joaseiro”, a população do povoado triplicou em menos de um ano.

Com o crescimento de Juazeiro, começa a via-crúcis do Padre Cícero, sobre quem desaba uma campanha de inveja, intrigas e perseguições. Suspenso da ordem, proibido de oficiar atos religiosos, Padre Cícero a tudo se submeteu com resignação. Foi à Roma, por convocação superior, lá permanecendo quase nove meses. Lá reconquistou o direito de celebrar missa e, regressando a Juazeiro, estava convicto de que seria reabilitado pela Igreja. Por fim, novas sanções lhe foram impostas, sendo definitivamente suspenso da ordem.

Os romeiros, que não podiam encontrá-lo na igreja, se conformavam em ouvi-lo diariamente em sua casa, em busca de conselhos, bem como de proteção espiritual. E ele atendia a todos. Recebia e distribuía esmolas. Aconselhava-os oralmente e por escrito. Era o padrinho de todos. Logo a seguir, privado dos místeres religiosos, Padre Cícero dedicou-se à política, atendendo a apelos dos amigos, como Antônio Nogueira Acioli, substituído na chefia da presidência do Estado do Ceará pelo coronel Franco Rabelo, mais para evitar que mãos estranhas conduzissem os destinos de sua cidade, com a mesma ordem que ele conseguira até então.

Proibido de celebrar, Padre Cícero ingressou na vida política. Como explicou no seu testamento, o fez para atender aos insistentes apelos dos amigos e na hora em que os juazeirenses esboçavam o movimento de emancipação política. O jornalista e historiador, Daniel Walker, destaca que depois da independência de Juazeiro, em 22 de julho de 1911, Padre Cícero foi eleito prefeito do recém-criado Município. Além de prefeito, ocupou a vice-presidência do Ceará. Sobre sua participação na Revolução de 1914, ele afirmou categoricamente que a chefia do movimento coube ao doutor Floro Bartolomeu da Costa, seu grande amigo.

A Revolução de 1914 foi planejada pelo Governo Federal com o objetivo de depor o presidente do Ceará, coronel Franco Rabelo. Com a vitória da Revolução, Padre Cícero reassumiu o cargo de prefeito, do qual havia sido retirado pelo governo deposto, e seu prestígio cresceu. Sua casa, antes visitada apenas por romeiros, passou a ser procurada, também, por políticos e autoridades diversas. O historiador Daniel Walker lembra que era grande o volume de correspondências que Padre Cícero recebia e mandava. (AV) (Antonio vicelmo, diário do Nordeste)

Um comentário:

  1. ACHO MUITO IMPORTANTE ESSES RESGATES A HISTÓRIA DE JUAZEIRO DO NORTE. É MUITO BOM LEMBRAR FATOS QUE NÃO MAIS ESTÃO ATIVADOS. ESSES PRÉDIOS ANTIGOS, RUAS, CINEMAS E ATÉ PESSOAS QUE CONMHECEMOS APENAS DE NOME. GOSTARIA DE VER UMA FOTOS DA FACHADA E DEPENDENCIAS DO TREZE ATLÉTICO JUAZEIRENSE.

    PARABÉNS AO IDEALIZADOR DANIEL WALKER POR TRAZER AS NOSSAS MEMÓRIAS LEMBRANÇAS TÃO AGRADÁVEIS.

    RITA.



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