domingo, 22 de julho de 2012

Edificações antigas estão desaparecendo


ARQUITETURA E URBANISMO

Edificações antigas quase não existem em Juazeiro

2A "Terra do Padim" acompanhou o ritmo do progresso e esqueceu de preservar parte de seus prédios históricos

Juazeiro do Norte Os velhos casarões que marcaram as primeiras edificações deste Município, praticamente, não existem mais. Mesmo nas fotografias, alguns dos locais onde estavam prédios referenciais da cidade sequer são identificados hoje. Essa é a realidade de uma cidade dinâmica, que tem procurado se adequar a uma realidade de crescimento constante. Os que chegavam a Juazeiro não tinham uma preocupação com a memória da cidade, principalmente, quando se fala em edificações.

A cidade passou a ter mudanças significativas em sua arquitetura, sem um perfil definido, mas de uma natureza eclética de desenvolvimento. Essa é a realidade de uma cidade dinâmica fotos: Elizângela santos

A área mais antiga de Juazeiro está basicamente numa das partes do Centro da cidade. No entorno da capelinha de Nossa Senhora das Dores, hoje a Basílica Menor, foram realizadas as primeiras construções.

A artista plástica Assunção Gonçalves trouxe numa tela as primeiras edificações da vila, resultado de informações repassadas por quem vivenciou o nascimento de Juazeiro. Com 98 anos, ela pouco lembra desses momentos passados, inclusive, ao lado do Padre Cícero. Mas viu o Município tomar novas feições, ganhar proporções inimagináveis. O escritor Daniel Walker lembra de uma frase do Monsenhor Murilo de Sá Barreto, em que ele dizia que "Juazeiro é de pouca geografia e muita história".

Ao repassar as paisagens antigas da velha Juazeiro, quase nada resta como lembrança. A memória foi apagada em nome do crescimento contínuo. E esse desenvolvimento passou a ter impulso, principalmente, após o milagre de 1889, com o sangramento da hóstia ofertada pelo Padre Cícero à beata Maria Araújo. A movimentação aumentou, a polêmica se espalhou e todos queriam conhecer o padre santo, que acolhia quem chegava.

O processo de ocupação, segundo Daniel Walker, começou a acontecer, e muitos vieram de fora para morar em Juazeiro. Talvez, essa realidade elucidasse um pouco a falta de apego ao patrimônio construído. Em constante mutação, se tornou comum a derrubada de prédios para o construção de comércios.

Em poucas ruas, podem ser encontrados prédios que liguem o presente ao passado. Na São José, por exemplo, no Centro da cidade, pode ser visto o Museu Padre Cícero, local onde o sacerdote passou seus dois últimos anos de vida. Hoje, abriga parte dos seus pertences. Logo abaixo, na mesma rua, um velho prédio onde hoje funciona um abrigo para idosos.

Preservação
Na Rua Padre Cícero, outra casa intacta é a da artista plástica Assunção Gonçalves. O pesquisador também lembra da oportunidade que se teve de tombamento da Capela do Socorro, junto com a Casa dos Milagres. Um conjunto que era visto como patrimônio foi descaracterizado.

Isso interrompeu o processo de reconhecimento da área, com a inclusão de uma torre com relógio à frente da capela. Ao longo dos anos, foram várias construções em volta de uma área antes descampada. Nas proximidades, foi construída a Praça do Cinquentenário. O marco das cinco décadas de Juazeiro teve seu espaço reduzido por uma escola e o Memorial Padre Cícero.

E as reformas continuam no espaço. Agora, com o projeto de requalificação de áreas da cidade, nova sinalização e iluminação, com o Roteiro da Fé, o secretário de Turismo e Romarias, José Carlos dos Santos, admite que todo o cuidado está sendo tomado no sentido de não modificar espaços, preservando a história da cidade. Pelo menos o pouco que ainda há em relação aos seus 101 anos de história. (ES)

Cidade tem um dos metros quadrados mais valorizados
Juazeiro do Norte A cidade de formação arquitetônica eclética, como descreve o arquiteto Jorge Mauro, que já projetou diversos prédios públicos na cidade, hoje tem um dos metros quadrados mais valorizados do Estado do Ceará, por conta da quantidade de investimentos comerciais e na área da construção civil, além da quantidade de universidade em uma década.

Em Juazeiro, áreas chegaram a valorizar até 300% em três anos. Esse valor também envolve a especulação diante dos novos empreendimentos implantados nos últimos anos, principalmente, os grandes investimentos no setor público. Espaços comerciais no Bairro Pirajá e no espaço do Triângulo Crajubar estão entre as áreas mais valorizadas do Município.

A especulação imobiliária dos últimos anos tornou Juazeiro do Norte bastante procurada, por conta da quantidade de investimentos

O delegado do Conselho Regional do Corretores Imobiliários (Creci - CE), em Juazeiro, Fagner Canuto Tavares, destaca as condições favoráveis na cidade para investimento no setor, mas, ao mesmo tempo, faz o alerta para as novas construções, propostas de financiamentos e principalmente a especulação.

De um lado, uma cidade mais antiga, onde se encontra a maior parte das acomodações para os romeiros, o comércio as grandes igrejas. São os ranchos e pousadas, mais próximos dos templos católicos e dos pontos de visitação romeira.

Do outro lado, uma área que em poucos anos ganhou novos bairros luxuosos, como a Lagoa Seca, se estendendo para a Cidade Universitária, onde estão situados cursos superiores de universidades públicas e privadas, além de cursos técnicos.

A cidade cresceu rápido e de forma desordenada, com ruas estreitas, saneamento precário. Os velhos casarões que ainda existentes em Juazeiro lembram em alguns detalhes o estilo neoclássico. Um deles, construído entre a rua São Pedro e rua do Cruzeiro (vizinho à Câmara Municipal), se perde em meio as novas edificações.

Há áreas no centro comercial que chega ao patamar de R$ 5 mil o metro quadrado. As que margeiam as avenidas Leão Sampaio e a Padre Cícero, nos bairros Lagoa Seca e São José, em direção às cidades de Barbalha e Crato, respectivamente, são as mais visadas pelos novos investidores que chegam a região para montar seu negócio.

Há cerca de três anos, o metro quadrado de terreno chegava a custar na área da Lagoa Seca, de R$ 10 a R$ 15, por exemplo. Hoje, a média é de R$ 250,00 a R$ 300,00. Existem áreas, de acordo com a corretora Fabiana Canuto Alves, que chegam a ter o metro quadrado no valor de R$ 2.500. (E.S.)

Mais informações: Delegacia Regional do Creci em Juazeiro do Norte -Rua José Marrocos, 31 -Centro, (88) 3512.1370 - no Crato, (88)3521. 2283 
Reportagem de Elizangela Santos - Diário do Nordeste - Caderno Regional

Um comentário:

  1. Isto não é um privilégio de Juazeiro. Esta semana veio a notícia do desabamento de um dos pouquíssimos casarões remanescentes de Fortaleza, o antigo Colégio de Nossa Senhora da Assunção (mesma santa que nomeia o forte a partir do qual originou-se a capital). Entrou em processo de tombamento quando um grupo de pessoas avistaram-no em meio a tapumes que sinalizavam obra no local. Tarde demais.

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