sábado, 4 de agosto de 2012

JUAZEIRO PERDE IMPORTANTE POETA POPULAR - Daniel Walker


A Literatura de Cordel Juazeirense perdeu no dia 8 de agosto de 1997 um dos seus mais legítimos e talentosos representantes: o poeta popular Expedito Sebastião da Silva, que faleceu vitimado por problemas cardíacos, aos 69 anos de idade.
Ele dedicou a maior parte de sua vida ao ofício e à arte de fazer cordéis, pois sempre aliou as duas funções: a de compositor tipográfico e de autor de cordel.
Expedito Sebastião nasceu em Juazeiro do Norte, de onde nunca se afastou, e sua escolaridade não passou do antigo curso ginasial, feito no Ginásio Salesiano São João Bosco. Viveu até os dezessete anos no campo, ajudando o pai no pequeno roçado da família. Seu ingresso na Literatura de Cordel se deu por intermédio do mestre Antônio Caetano que mostrou alguns sonetos do jovem poeta em formação ao consagrado José Bernardo da Silva, dono da Tipografia São Francisco, a famosa editora de cordel de Juazeiro, hoje ainda existente, mas com a denominação de Lira Nordestina e amargurando dias de penúria.
José Bernardo ao ler os versos de expedito Sebastião percebeu imediatamente que estava diante de um poeta de futuro brilhante, razão por que o convidou para trabalhar em sua tipografia.
Desde então a vida de Expedito Sebastião ficou intrinsecamente ligada àquela editora de cordel, onde aprendeu todas as etapas do processo de impressão dos folhetos até chegar ao topo da função de chefia, um merecido prêmio ao seu trabalho eficiente e abnegado.
Lamentavelmente um grande desejo seu não pôde ser concretizado: ver a Lira Nordestina voltar a ser a grande editora de cordel que fora no passado, com sua sede própria, editando grandes tiragens e assim propagando cada vez mais a Literatura de Cordel de Juazeiro, para cujo sucesso ele tanto contribuiu.
O poeta morreu pobre. Nunca conseguiu acumular riqueza como fruto da profissão de tipógrafo e da arte de fazer verso. Mas jamais deixou de ter o reconhecimento dos críticos literários e das academias que sempre reconheceram e enalteceram o seu talento poético.
Recentemente ele foi homenageado na França, por intermédio da professora Martine Kunze, que apresentou um substancioso trabalho sobre a produção literária dele. Este trabalho estava na relação dos títulos a serem editados pela coleção Cadernos do IPESC, numa festa surpresa que nós iríamos fazer-lhe em janeiro de 1998, por ocasião dos seus 70 anos de existência.
Na verdade, nós tínhamos absoluta certeza de que ele viveria até lá. O destino, porém, quis diferente, e lhe antecipou a morte, certamente seguindo os desígnios de Deus. Mas a homenagem - agora póstuma - não deixará de ser prestada. Assim, o Caderno do IPESC, volume número 4, será editado em sua homenagem com o texto que Martine Kunze mostrou na França.


Nota: O caderno do IPESC a que se refere o artigo foi publicado.

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