SOBRE MIM

HISTÓRIA DE VIDA DO 
PROFESSOR DANIEL WALKER ALMEIDA MARQUES

Maria Vilaneide Vieira dos Santos
(Graduanda em Pedagogia da URCA, ir.mvilaneide@hotmail.com)
  Mirian de Oliveira Santos
(Graduanda em Pedagogia da URCA, mirian- lindona@hotmail.com)
Niele Matias Nascimento
(Graduanda em Pedagogia da URCA, matiasnascimento@gmail.com)
Zuleide Fernandes de Queiroz
(Professora da URCA, zuleide.queiroz@urca.br)


Introdução
O presente artigo relata as experiências e acontecimentos vivenciados pelo professor Daniel Walker Almeida Marques. A pesquisa foi realizada nos meses de abril e maio do corrente ano, durante a disciplina de História da Educação Brasileira, que teve como foco principal a história da educação no Ceará e no Cariri Cearense. Por este motivo fomos instigadas a procurar mais informações sobre a história da educação do nosso município. Neste trabalho buscamos contar a trajetória deste educador agora aposentado, mas que contribuiu e ainda contribui com o desenvolvimento da educação no Cariri.
Escolhemos a história de vida do professor Daniel Walker - a pesquisa bibliográfica, no intuito de conhecermos as pessoas que contribuíram de forma significativa para o desenvolvimento da educação no nosso município, mostrando claramente o seu empenho contra todas as dificuldades que enfrentou em seu trabalho como mestre, orientador, jornalista, biólogo e sexólogo. E um dos aspectos que nos chamou atenção em sua biografia, foi por ter sido pioneiro na região por duas coisas: ter lançado o primeiro site na internet (www.padrecicero.cjb.net) e o primeiro livro eletrônico (O Corpo Humano é engraçado, no site (www.ebooksbrasil.com.br)). Vale salientar que sua aplicação elevou a educação do ensino superior, atuando durante muitos anos como professor e orientador, sendo referência na região do Cariri e na Universidade Regional do Cariri- URCA.
A pesquisa apresentada narra à trajetória de vida do referido Professor, pois, como nos diz Chizzotti:
As histórias de vida são, para o autor, relatos de práticas de relações sociais do tipo “objetivo” ou socioestruturais, quando privilegiam as formas materiais de vida, relações de trabalho e classe etc., ou do tipo “subjetivo” ou sociossimbólicos quando relatam as atitudes, representação e valores individuais que refletem as relações sociais. (2006, p. 102)
  Em relação à pesquisa qualitativa, Silva afirma que:
Considera que há uma relação dinâmica entre o mundo real e o sujeito, isto é, um vínculo indissociável entre o mundo objetivo e a subjetividade do sujeito que não pode ser traduzido em números. A interpretação dos fenômenos e a atribuição de significados são básicas no processo de pesquisa qualitativa. Não requer o uso de métodos e técnicas estatísticas. O ambiente natural é a fonte direta para coleta de dados e o pesquisador é o instrumento chave. É descritiva. Os pesquisadores tendem analisar seus dados indutivamente. O processo e seu significado são os focos principais de abordagem. (2001, p. 20)
O Município de Juazeiro do Norte
Juazeiro do Norte é um município brasileiro localizado no estado do Ceará. Devido à figura de Padre Cícero, é considerado por muitos um grande centro de religiosidade popular do Ceará. A cidade localiza-se na região do Cariri, no sul do estado, a 533 km da capital, Fortaleza. Sua área é de 248,558 km², a uma altitude média de 377,3 metros. A população do município em 2012, segundo a estimativa do IBGE, é de 255 648 habitantes, tornando o município, o terceiro mais populoso do Ceará e a maior do interior cearense e a centésima maior do Brasil.

Contexto histórico do município
Quando ainda era uma vila pertencente ao Crato, Juazeiro chamava-se Tabuleiro Grande e não passava de um aglomerado de casas de taipa e algumas de tijolos convergindo para uma capela dedicada a Nossa Senhora das Dores. Até que um dia, o jovem Cícero Romão Batista, que veio se tornar padre, resolveu fixar-se como pároco no lugarejo, até então sem capelão e, portanto, sem os serviços religiosos.
Sendo assim, um dos responsáveis pela emancipação e independência da cidade. Por conta do chamado "milagre de Juazeiro", quando Padre Cícero deu a hóstia sagrada à beata Maria de Araújo, que se transformou em sangue, passando a ser venerado pelo povo como um santo e sua figura assumiu características místicas.

De povoado a município
 Segundo Farias (2004), Juazeiro do Norte não foi sempre como é hoje, citando como era o lugar em duas épocas distintas:
Ano de 1875 - [...] um modesto e desconhecido povoado à distância de três horas a cavalo do próspero Crato. Lugarejo rude e insignificante, originara-se duma pequena capela de fazenda mandada construir em honra de Nossa Senhora das Dores, em 1827. A população da vila e arredores em 1875 não passava de dois mil paupérrimos habitantes. O lugarejo apresentava apenas dois pedaços de ruas, uma igrejinha, uma escola, 32 prédios de palha; e apenas uma pousada para viajantes e comboieiros que se dirigiam para o Crato, os quais descansavam à sombra dos frondosos juazeiros. Não tinha nenhuma expressividade econômica.
Ano de 1909 [...] mais de 15 mil habitantes só no centro urbano, que compreendia 22 ruas e dois praças públicas iluminadas a querosene. Prestando serviço à cidade, existiam dois padarias, três barbearias, 15 alfaiatarias, dois farmácias, 20 escolas primárias [...] Seu comércio era dos mais agitados. (FARIAS, 2004, p. 271 e 281)

Emancipação Política da Cidade
No início do século XX a vila de Tabuleiro Grande, almejava desvincular-se do Crato. Usando como argumento principal o fato de que a vila se tornara maior e mais importante que a sede. De modo que, Tabuleiro Grande apresentou um importante crescimento, disputando até mesmo com a capital Fortaleza. Em 1909 com a chegada do Padre Alencar Peixoto e de José Marrocos, o movimento em prol da emancipação ganhou força, juntos fundaram o jornal O Rebate que se tornou o principal meio de divulgação do projeto. No mesmo ano, aconteceu uma greve geral da população, resultando prejuízos à economia do Crato. No ano de 1910, foi organizada uma passeata pela emancipação, concentrando-se aproximadamente quinze mil pessoas. A emancipação foi concedida em 22 de julho de 1911, através da lei n° 1.0289, o novo município passa a se chamar Joaseiro (uma referência à árvore típica da região), e Padre Cícero é eleito o primeiro prefeito.

A Educação no Juazeiro
Oliveira (2001) registra que a primeira escola régia, naquele município, data de 1865:
Com a construção da capela Nossa Senhora das Dores na fazenda “Tabuleiro Grande”, seu primeiro capelão, Padre Pedro Ribeiro de Carvalho, iniciou o trabalho sócio – educativo do pequeno povoado. Reuniu alguns meninos de sua família e os filhos dos escravos, para alfabetizar e ensinar a doutrina cristã. Mas a primeira escola régia foi instalada aqui pelo 3º capelão, Padre Antônio Almeida. (OLIVEIRA, 2001, p. 273).
O referido capelão foi com um grupo de voluntários para a Guerra do Paraguai, assumindo assim a regência da escola, o professor Pedro Correia de Macedo e depois seu irmão, Semeão Correia de Macedo. Já com Padre Cícero em 1890, foi fundada a segunda escola sob a regência da professora D. Naninha (Ana Joaquina de São José), específica para as mulheres. Souza registrou que uma década depois, foram localizadas quatro escolas particulares: “[...] Na década de 1890 o Padre Cícero localizou quatro escolas particulares. Duas masculinas: regidas por Guilherme Ramos de Maria e Mestre Miguel; duas femininas regidas por Izabel Montezuma da Luz e Maria Cristina de Jesus Cristo” (SOUZA, 1994, p. 26).

História do Ceará
O Ceará é uma das 27 unidades federativas do Brasil. Situado na Região Nordeste e tem por limites o Oceano Atlântico a norte e nordeste, Rio Grande do Norte e Paraíba a leste, Pernambuco a sul e Piauí a oeste. Sua área na totalidade é de 148.825,6 km², ou 9,37% da área do Nordeste e 1,7% da superfície do Brasil. A população estimada para o ano de 2008 foi de 8.450.527 habitantes, determinando ao território a oitava colocação entre as unidades federativas mais populosas.
 Fortaleza é a maior capital e cidade, sede da Região Metropolitana de Fortaleza (RMF). Outras cidades importantes fora da RMF são: Juazeiro do Norte e Crato na Região Metropolitana do Cariri, Sobral na região noroeste, Itapipoca na região norte, Iguatu na região centro-sul, Aracati na Região do Vale do Jaguaribe e Quixadá no sertão. Na RMF, composta por cidades importantes como Eusébio, Horizonte, Maranguape, Maracanaú e São Gonçalo do Amarante, sede do Porto do Pecém, incrementam o PIB cearense. No total são 184 municípios.
É o décimo segundo estado mais rico do país, sendo o terceiro mais rico do Nordeste. A capital, Fortaleza, é o município com o maior PIB do Nordeste. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro- FIRJAN em 2010 o Ceará apresentava, a melhor qualidade de vida do Norte-Nordeste.
Segundo o autor Antônio Martins Filho (s/d), a educação no Ceará ocorreu a partir da tentativa dos jesuítas para educar os índios. Através do propósito e a pedagogia dos filhos de Santo Inácio. Começando então a fracassar a educação regular, pois Francisco Pinto foi capturado e massacrado, causando o término daquela gloriosa missão dos soldados de Cristo. No entanto, com o passar dos tempos a vida colonial necessitava de conhecimentos, ficando a escola primaria com o dever do ensino de ler, escrever e contar.

A história de Vida do Professor Daniel Walker
Em entrevista realizada com o professor Daniel Walker Almeida Marques, o mesmo relatou sua história contando que nasceu na cidade de Juazeiro do Norte, Ceará, Bairro Socorro, no dia 6 de setembro de 1947. Filho de José Marques da Silva e de Maria Almeida Marques. Casado com a Professora Tereza Neuma de Macedo e Silva Marques, com quem tem dois filhos: Michel, Professor Universitário, e Daniel Walker Junior, Engenheiro de Produção.
Cursou as primeiras letras com a conhecida professora Toinha Gonçalves em sua escola particular localizada na Rua Santa Luzia, Bairro do Socorro, em Juazeiro do Norte. Posteriormente estudou no Grupo Rural Modelo (que era a Escola de Aplicação da Escola Normal Rural) e no Grupo Escolar Paulo Sarasate, todos de Juazeiro do Norte, e depois, em 1960 estudou no Colégio Agrícola de Lavras da Mangabeira, Ceará, em regime de internato, onde fez o 1º Ano do Curso de Iniciação Agrícola.
Em 1961, retornou para sua terra natal, e daí até 1964, fez o Curso Ginasial no Colégio Salesiano São João Bosco. Nesta instituição passou os melhores momentos da sua vida estudantil. As suas amizades deste período foram boas, algumas das quais perduram até hoje. Seu currículo era de um aluno aplicado, assim, iniciou sua vida literária, participando da fundação do Grêmio Literário Dom Pedro II. Com a conclusão do Curso Ginasial, ingressou no Colégio Diocesano do Crato, onde cursou o 1º e 2º Científicos no período de 1965-1966. Como em Juazeiro não havia faculdade, em 1967 ingressou no Colégio Castelo Branco, de Fortaleza, Ceará, onde fez o 3º Científico e o cursinho pré-vestibular. Reprovado no vestibular para Agronomia da Universidade Federal do Ceará retornou para sua terra natal e em 1969 foi estudar em Recife, onde fez vestibular para a Faculdade de Medicina, sendo classificado para o Curso de Fisioterapia, o qual cursou apenas o primeiro semestre, retornando em seguida para Juazeiro do Norte.
Em 1971 fez vestibular para o Curso de História Natural, da Faculdade de Filosofia do Crato, Ceará, logrando o primeiro lugar, concluindo a Licenciatura em 1974. Daniel Walker é pós-graduado com Especialização em Ciências (Universidade Federal do Ceará); Sexologia (Universidade Cândido Mendes, Rio de Janeiro) e História do Brasil (Universidade Cândido Mendes).
Daniel Walker relatou que iniciou a trabalhar muito cedo, pois com 14 anos já foi ajudante de seu Hercílio, um mecânico especializado em hidráulica e eletricidade que tinha sua oficina localizada na Rua da Conceição, pertinho de sua residência. Seu ofício era de era fazer rosca em canos de metal para uso nas instalações hidráulicas residenciais. Daniel narra uma experiência bastante interessante e inusitada ocorrido no período de sua adolescência:
“Uma das coisas que muito me orgulha foi ter tido a ideia e fundar, no dia 7 de setembro de 1963, a Cooperativa de Crédito dos Primos Marques, uma espécie de banco para empresar dinheiro aos associados, ou seja, aos primos da Família Marques, foi um grande sucesso”.
 O mesmo nos informou que esta cooperativa se propagou e passou a conceder empréstimos a outras pessoas do mesmo bairro, ou seja, a não pertencentes da família Marques. No ano de 1965, Daniel teve a alegria de fundar seu primeiro jornal, chamado, O Acionista, e em 1966 lançou seu primeiro livro, intitulado História da CCPM, livro este, que relatava a fundação da Cooperativa de Crédito dos Primos Marques.  Além das atividades profissionais de professorado o referido entrevistado exerceu outros empregos: Gerente da Crédimus S.A. Crédito Imobiliário, depois modificada em Poupança Bradesco, Relações Públicas da Celca-Companhia de Eletricidade do Cariri (atualmente Coelce). A pior experiência de sua vida, diz Daniel, foi a de trabalhar no serviço público municipal em duas administrações, a primeira, na do prefeito Mauro Sampaio no ano de 2000, preenchendo as funções de Diretor de Pesquisa e Documentação da Secretaria de Cultura de Juazeiro, onde perdurou por menos de um ano, e a segunda ocorreu na gestão do prefeito Manuel Santana em 2009, ocupando o cargo de Assessor Técnico da Secretaria de Turismo e Romaria. Salienta Daniel, “trabalhar no serviço público municipal foi a pior experiência de minha vida”.
Nomeado pelo reitor Teodoro Soares, da URCA, para a incumbência de Coordenador de Pesquisa e Editoração do IPESC-Instituto José Marrocos de Pesquisas e Estudos Socioculturais, organização que o mesmo contribuiu na fundação, juntamente com seus amigos Renato Casimiro e José Boaventura de Sousa. Foi nesta associação que Daniel intensificou sua carreira de escritor e pesquisador que, consequentemente, resultou na publicação de diversos livros. Daniel evidencia que de todos os seus empregos, o que mais lhe proporcionou entusiasmo foi o de locutor e redator da Rádio Iracema e do Saci, pois nestes referido locais nunca tive nenhum momento de insatisfação. “Ganhava pouco, mas era feliz! O magistério me proporcionou grandes momentos de empolgação e crescimento cultural, por muito tempo, mas depois me decepcionei com os rumos da Educação brasileira e resolvi pedir aposentadoria proporcional”.  Mas diz ele, que conserva as boas lembranças de muitos colegas e alunos. Sente saudades quando atuava como professor da URCA e ministrava aulas de Biologia e articulava palestras em Seminários de Sexologia para os alunos do Curso de Licenciatura Plena do Ensino Fundamental, realizado nas cidades de Juazeiro do Norte, Barbalha, Caririaçu, Missão Velha, Várzea Alegre, Jati, Brejo Santo, Jardim, Saboeiro, Antonina do Norte, Assaré e Tarrafas. Um dos seus trabalhos memoráveis foi quando redigiu e dirigiu uma peça teatral no Colégio Moreira de Sousa chamada de Escolinha do Professor Comenius, com um elenco de 40 integrantes, os participantes eram todos alunos do Moreira de Sousa.

Sua trajetória na Docência
Segundo Daniel, no ano de 1971, iniciou sua carreira de professor como substituto de Dr. Geraldo Menezes Barbosa, ensinando Ciências no Curso de Madureza do Colégio Estadual de Juazeiro do Norte. Foi na referida escola que introduziu no ensino juazeirense um método até então inédito na cidade: provas com questões de múltipla escolha. O mesmo trouxe a novidade de Recife e Fortaleza, onde estudou. No ano seguinte, foi contratado como professor e naquela escola, que passou a se chamar Centro Educacional Professor Moreira de Sousa foi professor do Ensino Fundamental, do Curso Científico, do Curso Normal Pedagógico e do Quarto Pedagógico, afastando-se somente no ano de 2004, quando se aposentou. Também foi professor da Escola Técnica de Comércio, Colégio Menezes Pimentel, Escola de 2º Grau Governador Adauto Bezerra e do Cursinho Pré-vestibular Objetivo, todos de Juazeiro do Norte. Em 1982 ingressou no quadro de professores da Faculdade de Filosofia do Crato, hoje, URCA-Universidade Regional do Cariri, lotado no Curso de Biologia, onde permaneceu até 2001, quando aposentou - se como professor adjunto, no topo de sua carreira profissional.

Sua notável contribuição nas atividades culturais, literárias e ¬¬¬jornalísticas da região do Cariri.
Em 1974 Daniel deu extensão a sua vida literária, associando-se ao Instituto Cultural do Vale Caririense, fundação a qual atuou como sócio, secretário, vice-presidente e presidente. A partir de 1969 passou a pesquisar e estudar a vida de Padre Cícero e do município de Juazeiro do Norte, tendo como resultado a publicação de vários livros, cujo nos forneceu o intitulado: Padre Cícero - A Sabedoria do Conselheiro do Sertão. Em sua atuação com pesquisador participou de vários congressos e encontros como membro da comissão organizadora ou mesmo como palestrante. Na cidade de Juazeiro do Norte, Daniel Walker foi pioneiro em duas coisas: em lançar o primeiro site na internet (www.padrecicero.cjb.net) e o primeiro livro eletrônico O Corpo Humano é engraçado, no site (www.ebooksbrasil.com.br). Chegou a receber vários prêmios e homenagens de reconhecimento por ter realizado um trabalho de grande relevância para acidade de Juazeiro do Norte e por enriquecer a bagagem cultural do povo juazeirense.

Considerações finais
O presente trabalho, realizado ao longo da disciplina de História da Educação Brasileira ministrada pela professora Zuleide Fernandes, nos proporcionou conhecer desde os primórdios da educação: Brasileira, Cearense e Caririense. Desde então, fomos instigadas a buscar pessoas que tivessem contribuído para a educação do município de Juazeiro do Norte. Nesta perspectiva, nos deparamos com a pessoa de Daniel Walker, como já relatado, pessoa que atuou de forma significativa no campo educacional na região do Cariri.
Durante a sua atuação em sala de aula, estava constantemente em busca de inovações que despertassem o interesse de seus educandos, e essa metodologia de ensino que utilizava nos chamou atenção, pois incentivava seus alunos a participar das aulas, tornando-as produtivas com a participação efetiva da turma.
Na sua fala, é notável a preocupação com os rumos que a educação brasileira está seguindo, a clara desvalorização dos professores, profissionais estes que ficam desmotivados para realizar qualquer atividade de cunho educacional.
O professor Daniel Walker contribuiu de forma significativa para a nossa formação acadêmica, pois, o entusiasmo transmitido ao longo da entrevista nos motivou a seguir em frente, não esquecendo os desafios que teremos que enfrentar ao longo do curso. E quando estivermos atuando em sala de aula que possamos introduzir algumas das experiências obtidas nesta pesquisa em nossa práxis.

Referências
CHIZZOTTI, Antônio. Pesquisa Qualitativa, em Ciências Humanas e Sociais. Petrópolis. Rio de Janeiro: Vozes, 2006.
Silva, Edna Lúcia da. Metodologia da pesquisa e elaboração de dissertação 3. ed. rev. atual. – Florianópolis: Laboratório de Ensino a Distância da UFSC,2001.
FARIAS, José Aírton de. História da Sociedade Cearense. Fortaleza: Edições Livro Técnico, 2004.
GIRÃO, Raimundo; Filho, Antônio Martins, O CEARÁ, Editora instituto do Ceará, 3° edição, 1966, FORTALEZA-CE.
www.faced.ufu.br/colubhe06/anais/arquivos/95zuleidefernandesqueiroz.pdf
 http://www.sitededanielwalker.com/p/biografia.htm
http://pt.wikipedia.org/wiki/Juazeiro_do_Norte.
 IBGE (10 de outubro de 2002). Área territorial oficial. Resolução da Presidência do IBGE de n° 5 (R.PR-5/02). Página visitada em 22 de julho 2010.
Contas Regionais do Brasil – 2010. Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. Página visitada em 23 de novembro de 2012.
Síntese dos Indicadores Sociais 2010 (09/2010). Página visitada em 18/09/2010.
Ranking do IDH dos estados do Brasil em 2005. Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD) (15 de setembro de 2008). Página visitada em 17 de setembro de 2008.
 ftp://ftp.ibge.gov.br/Pib_Municipios/2010/pdf/tab01.pdf
 IFDM – Índice FIRJAN de Desenvolvimento Municipal
Entrevista
Daniel Walker, Juazeiro do Norte, maio de 2013.


JUAZEIRO DO MEU TEMPO. DANIEL WALKER: NOBRE MISSÃO - Por Jota alcides

"Onde as necessidades do mundo e os seus talentos se cruzam, aí está a sua vocação". Este é o entendimento do filósofo grego Aristóteles considerando que vocação e talentos são coisas diferentes. Vocação é um chamado de Deus, um dom divino. Como descobriu a brilhante escritora ucraniana abrasileirada pernambucana, Clarice Lispector, "pode-se ter vocação e não ter talento, isto é, pode-se ser chamado e não saber como ir". Já o mestre Danton Jobim, advogado, jornalista, escritor, professor e político brasileiro, diretor do lendário Diário Carioca (1928-1965), o jornal que mudou a imprensa brasileira, presidente da Associação Brasileira de Imprensa(1966-1972), Prêmio Maria Cabot de Jornalismo da Universidade de Columbia-EUA-(1952) e autor de "O Espírito do Jornalismo", dizia: "O jornalista é um profissional e basta que seja um homem honrado e sensato, segundo os padrões morais de seu tempo, para que cumpra sua missão". Tudo certo, mas para isso, é fundamental que tenha vocação. Um jornalista que não tenha formação superior em Jornalismo, mas tenha o espírito do jornalismo, pode ser muito mais jornalista do que um jornalista que tenha formação superior em Jornalismo, mas não tenha o espírito do Jornalismo. Juazeiro do Norte tem um exemplo emblemático: Daniel Walker, jornalista, radialista, pesquisador, professor, escritor, historiador, mas, acima de tudo, jornalista. No Juazeiro do Meu Tempo, anos finais da década de 1960, época de ouro do rádio no Cariri, Daniel Walker brilhou como redator e apresentador de jornal na Rádio Iracema do Juazeiro e como jornalista correspondente de "O Povo", então maior e mais importante jornal do Ceará. Nascido no Juazeiro em 6 de setembro de 1947, filho do ourives José Marques da Silva (Zeca Marques) e da professora Maria Almeida Marques, herdou do pai o senso de lapidação da notícia como uma jOia e da mãe o gosto pelo magistério. Formado em Biologia pela Urca e pós-graduado em Ciências pela UFC, Daniel Walker é dono do maior acervo de pesquisas e estudos sobre a história do Padre Cícero e Juazeiro o que lhe confere um título que ele muito aprecia: "Guardião da Memória do Juazeiro". Professor aposentado da Urca, é um dos fundadores do Instituto Jose Marrocos de Pesquisas Socio-Culturais-IPESC, que muito tem contribuído, de forma acadêmica, para o desenvolvimento cultural do Juazeiro. Culto, observador, pesquisador, escritor e professor, Daniel Walker parece um cientista, até fisicamente, desses de laboratório, mas, na verdade, ele usa, criativa e inteligentemente, a metodologia, a objetividade, a imparcialidade e a racionalidade da Ciência, onde tem sua formação superior, a serviço do jornalismo que é sua verdadeira vocação. Começou sua carreira jornalística, em 1964, redigindo e apresentando noticiário, na Amplificadora Domingos Sávio, que funcionava, internamente, no Colégio Salesiano do Juazeiro. Com ele, na amplificadora, os amigos Vital Tavares, Wellington Amorim, José Marques Filho, Jussier Cunha e Renato Casimiro. Logo em seguida, passou a atuar no Saci-Serviço de Altofalantes Cícerópolis no centro da cidade. Já no ano seguinte, 1965, convidado , pelo diretor da Rádio Iracema do Juazeiro, Coelho Alves, ingressou na emissora pioneira da cidade, onde ficou até 1971: "Minha maior glória no rádio foi ter redigido e apresentado, com Coelho Alves, o Grande Jornal Sonoro Iracema" e atuado ao lado de Alceli Sobreira, Maciel Silva, Aguinaldo Carlos e Geraldo Batista", confessa. Paralelamente ao trabalho no rádio, foi Redator-Chefe do jornal "Tribuna do Juazeiro", fundado pelo jornalista Aldemir Sobreira, e correspondente do jornal O Povo, de Fortaleza, de 1965 a 1972, quando ganhou muito prestígio na sociedade do Juazeiro e do Cariri: "Foi minha glória jornalística", resume com saudade do tempo em que éramos saudavelmente arrastados pelos ventos dos sonhos. Em 1984, realizou seu sonho de ser dono de uma emissora de rádio. Ao lado de Coelho Alves, Cícero Antônio, Francisco Silva Lima e Adauto Bezerra Junior, inaugurou a Rádio Transcariri-FM, a primeira emissora FM do interior do Ceará., hoje Radio Tempo, denominação que não significa nada para o povo do Juazeiro. Então, como Secretário de Redação da antiga EBN-Empresa Brasileira de Notícias, eu tinha relações institucionais e de amizade com Rubens Furtado, Secretario de Radiodifusao do Ministério das Comunicações, e dei minha forcinha para que esse sonho se realizasse. Com satisfação, compareci à inauguração da emissora, em 21 de abril de 1984, um momento de grande alegria para o Juazeiro. Como escritor, Daniel Walker é autor de vários livros sobre Padre Cícero e Juazeiro, entre eles Sabedoria do Padre Cícero, História da Independência de Juazeiro do Norte, O Pensamento vivo de Padre Cícero e Padre Cícero na Berlinda. Em todas essas atividades, Daniel Walker sempre demonstrou, claramente, possuir o espírito do jornalismo de Danton Jobim, atuando com habilidade, sensibilidade, criatividade, sagacidade, instinto, isenção, inteligência, humanismo, ética, competência, honestidade e responsabilidade. Carrega consigo uma carga preciosa de formação cultural e de formação moral, adquirida no Colégio Salesiano do Juazeiro, onde estudou de 1961 e 1964, tempo do inesquecível diretor Padre Gino Moratelli, que parecia mais um afável reitor. Lá passou os melhores momentos de sua vida estudantil, acumulando conhecimento num ambiente saudável de muita alegria, afeição, criatividade, companheirismo, confraternização e emoção. Para seu amigo de mais de 50 anos, professor e pesquisador Renato Casimiro, Daniel Walker é "um exemplo de personalidade irretocável". Com a chegada da Internet e das novas tecnologias de informação e comunicação, Daniel Walker tornou-se criador do primeiro jornal eletrônico de Juazeiro, o Juaonline, fundado em 2004. Depois de completar 250 edições, o jornal virou o Portal de Juazeiro (www.portaldejuazeiro.com), até hoje um dos mais importantes sites noticiosos da região do Cariri. É um jornalista nato, por vocação. É formado em Biologia, que estuda a vida humana enquanto existência, mas sua praia, onde nada de braçadas, é mesmo o Jornalismo, que estuda a vida humana, enquanto convivência. Para se alcançar o sucesso profissional no jornalismo é preciso exercê-lo com vocação, caráter, ética, talento, esforço, disciplina e dedicação. Daniel Walker reúne isso tudo e segue o mandamento que está numa frase do genial Gabriel Garcia Marquez: "A ética deve acompanhar sempre o jornalismo, como o zumbido acompanha o besouro". Nesse sentido, é recomendável às novas gerações do Juazeiro que desejam seguir o caminho do Jornalismo, agora que existe o Curso de Jornalismo na Universidade Federal do Cariri(UFCA), no Juazeiro, que só o façam se tiverem vocação. Quem usa o Jornalismo para ganhar dinheiro, adquirir riqueza, não faz jornalismo, faz picaretagem e disso também há exemplo no Juazeiro, infelizmente. Picaretagem não é jornalismo, é picaretagem. E picaretagem não tem a companhia do besouro da ética. Portanto, em primeiro lugar vocação, porque mais do que profissão, o jornalismo é vocação. Sou jornalista formado na Universidade Católica de Pernambuco e pós-graduado pela Universidade de Brasília, estou chegando aos 50 anos de carreira, já ocupei cargos diretivos importantes em grandes empresas de comunicação do Brasil (Rede Globo, Jornal do Commércio, do Recife, e Correio Braziliense, de Brasília), e posso garantir-lhes que a força motriz de tudo é, o tempo todo, minha vocação, que descobri aos 12 anos fazendo jornais murais como estudante salesiano. Quando se faz Jornalismo por vocação, faz-se não por obrigação, mas por diletantismo, condição básica para a realização pessoal e profissional. O sentido obrigatório tira o prazer, a ausência de prazer trava a criatividade, a falta de criatividade bloqueia a dedicação, e a falta de dedicação impede a chegada ao sucesso. Eficiência, competência e experiência são importantes, mas somente a vocação gera resolução, dedicação, comando e liderança para o jornalista ser diferenciado. O modelo empresarial do jornalismo está mudando por causa da WEB e das novas tecnologias. Paradoxalmente, enquanto o jornalismo tradicional está quebrado ou quebrando pelos custos altíssimos e pela queda da receita publicitária, nunca na história da humanidade as pessoas consumiram tantas notícias. Uma coisa essencial do jornalismo, porém, não muda: vocação com sentido de missão. Assim sendo, sigam o exemplo de Daniel Walker, que descobriu cedo sua verdadeira vocação e atendeu ao seu chamado fervorosa e generosamente cruzando seus talentos com as necessidades do Juazeiro, sempre sob a bandeira do diletantismo.. Ganhou o sucesso inevitável, pois como já proclamou o jornalista, editor, escritor, filantropo, abolicionista, cientista e diplomata estadunidense Benjamim Franklin, "aquele que tem uma profissão tem um bem; aquele que tem uma vocação tem um cargo de proveito e honra". Daniel Walker acreditou na sua vocação como um dom irrevogável de Deus sendo extremamente fiel à sua missão e contribuindo inquestionavelmente para o enriquecimento, o prestígio e a grandeza da história da imprensa no Cariri. Desse modo, realizou o seu próprio destino de felicidade, questão de honra ao mérito. Afinal, Daniel é a prova de que jornalismo não é profissão, é vocação. E a missão de Deus para cada um está escrita na vocação. No caso do Jornalismo, a missão principal é reproduzir e interpretar a realidade, induzir e promover intenções, disseminar ideias, cultivar ideais, preservar valores e mudar comportamentos, influenciando o metabolismo social e contribuindo para a transformação e o desenvolvimento da sociedade. É uma missão amplamente nobre e apaixonante. E Daniel Walker tem vivido ao longo dos últimos 51 anos esse Espírito do Jornalismo, cruzando seus talentos com as necessidades do Juazeiro, assim obtendo reconhecido sucesso e merecido aplauso, pelo seu saber histórico, como historiador do passado e professor de história do presente fazendo a história do futuro. Parabéns!. .

*Jota Alcides, jornalista e escritor, é autor de "Padre Cícero, O poder de Comunicação" e "Comunicação & Linguagem das Massas"-




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