REFERÊNCIAS









Lunga, o eterno poeta do Cariri
Um ano após a partida do poeta e sucateiro mais famoso do Nordeste, parentes e amigos falam de causos inéditos da figura


Em 1927 nascia no Sítio Gravatá, na zona rural de Caririaçu, Joaquim dos Santos Rodrigues. Dezesseis anos mais tarde, uma vizinha daria o apelido ao homem que se tornaria um dos principais símbolos da cultura popular cearense. Joaquim, passou a ser chamado de Calunga. Tempos depois, o apelido resumiu-se para Lunga. O diminutivo iria contrapor-se com a trajetória de vida no aumentativo que estaria por vir.

Por tradição, Seu Lunga era um poeta e não tinha um só sepultamento de alguém da família que este deixasse de se colocar num ponto estratégico e de boa visibilidade para fazer a sua saudação póstuma.

Enterro do Seu Lunga Foto: Elisângela Santos

No dia da sua morte, 22 de novembro de 2014, há um ano, para evitar o que poderia ser uma “injustiça”, o jornalista Demontier Tenório se tornou o responsável pela homenagem ao parente logo após a missa de corpo presente no Centro de Velório Anjo da Guarda. Entretanto, foi rápido em suas palavras afirmando que “não adiantava fa

lar de Seu Lunga, pois todos já o conheciam bem e muito menos repetir as mesmas palavras de conforto que ele estendia aos demais familiares, pois este era um homem permanentemente confortado diante de tudo que ocorria”.

Demontier Tenório é filho de Antônia Tenório de Oliveira, prima legítima de Seu Lunga. A ausência do sobrenome é explicada por um erro do cartório. “Seu nome ganhou 'Santos' , mas que deveria ser 'Tenório', pois seu avô era parente do famoso Cabo Tenório, homem temido nas Alagoas”, detalha o jornalista.

“Ele não gostava de perguntas bobas. Tão logo fosse feita alguma pergunta mal elaborada ou, de cunho irônico, Lunga respondia firmemente”, ilustra o pesquisador.Demontier

Ao lembrar do primo segundo, Demontier adverte que o rótulo de “ignorante” atribuído a Lunga “não era verdade”. Segundo ele, Seu Lunga, “era um homem trabalhador, sincero e de bom caráter”, predicados corroborados pelo professor e pesquisador Daniel Walker de Almeida Marques, primo do ex-ator José Wilker, cujos pais foram vizinho de Seu Lunga por várias décadas. Daniel avalia que a fama de carrancudo do mítico personagem juazeirense surgiu e ganhou força no ferro-velho em que Lunga trabalhava, situado na rua Santa Luzia.

“Ele não gostava de perguntas bobas. Tão logo fosse feita alguma pergunta mal elaborada ou, de cunho irônico, Lunga respondia firmemente”, ilustra o pesquisador. Demontier lembra que todos os dias o primo realizava o trajeto a pé ou de bicicleta entre os cinco quarteirões que separavam a residência e o local de trabalho de Seu Lunga. A sucataria acanhada, de paredes desgastadas pela ação do tempo e repleta de “trecos”, conforme classifica Walker, tornou-se uma espécie de ponto turístico de Juazeiro do Norte.

Apesar de Walker garantir que Seu Lunga ficava envaidecido com a fama, o comerciante demonstrava não se acostumar com “o título de celebridade” conquistado, sobretudo, após a publicação de cordéis escritos pelo poeta cordelista Abraão Batista. A comerciante Cícera Lucena Arraes, funcionária de uma loja há poucos metros da sucata, conta que era vagarosa e cautelosa aproximação daqueles turistas que almejavam um registro com o “homem mais zangado do mundo”, título do cordel lançado em 1987, por Abraão e que foi alvo de ação judicial movido pelo próprio Lunga.
“Era uma cena engraçada. Muitos chegavam aqui na rua, ficavam olhando de longe e aos poucos se aproximavam pedindo uma foto. A impressão é que a fama dele já havia se espalhado Ceará afora e muitos tinham medo”, lembra com bom humor. Lunga não se dava ao trabalho de levantar de seu assento velho de madeira para “pousar” para as fotografias. Lá mesmo os turistas encostavam para foto. “Ele passava o dia todo sentado, observando o trânsito e assistindo sua pequena TV [uma Semp Toshiba 10 polegadas]”, acrescenta Cícera.

“Se alguém reclamasse que estava caro, ele fazia questão de informar onde poderia encontrar mais barato, porém, não baixava o preço”, relata Demontier Tenório

Se Lunga não se importava com as fotos, em que pese o momento de tensão vivido por aqueles preocupados com a “fama” do comerciante, o mesmo não se podia dizer das barganhas feitas aos produtos expostos na Sucata. Se a regra dos comerciantes é agradar ao freguês em primeiro lugar, é de perguntar como Seu Lunga conseguiu manter seu negócio em funcionamento por décadas. Solicitar a redução de preço era, na certa, algo que o deixava desconfortável. Ele dizia ter um preço único desde 1950. “Se alguém reclamasse que estava caro, ele fazia questão de informar onde poderia encontrar mais barato, porém, não baixava o preço”, relata Tenório.

Meses antes da morte de Seu Lunga, um grupo de fortalezenses de uma mesma família esteve em Juazeiro do Norte e, “claro”, foi até o ferro-velho. Liduina Barbosa revela que em seu imaginário, “Lunga era rude, extremamente grosseiro e mal-educado”, tal qual alimentava a literatura de cordel. “Não achei nada disso. Apesar de ele não ter levantado da cadeira para falar conosco, não faltou com educação, não foi ignorante e até teve paciência para tirar várias fotos com todos nós”, relata a secretária.

Daniel Walker não só confirma “os bons modos de Seu Lunga”, como revela: “Ele era bastante prestativo. Sempre que solicitado, fazia questão de atender, com rapidez”. Apesar de considerar o antigo vizinho como um “homem agradável”, o pesquisador admite: “Ele não tinha o riso fácil, mas isso não é sinônimo de ignorância”. O professor e pesquisador cearense de cultura popular Renato Casimiro é outro que discorda do que foi atribuído ao “poeta”, como Lunga gostava de ser reconhecido.
Mesmo que Lunga tivesse a tolerância zero com algumas indagações, muitas delas feitas única e exclusivamente para ironizar e até ridicularizá-lo, não chegavam a ser tão absurdas como o que foi escrito com tom pejorativo em muitos cordéis, contribuindo para que a fama de carrancudo se espalhasse”.

O cantor cearense Fagner possui uma teoria sobre o folclórico mau humor de Seu Lunga: “Existem vários outros ´Seus Lungas´ por aí. São pessoas que no fundo são bem-humoradas, mas não têm paciência nenhuma”. Outra teoria é erguida por Daniel Walker. O pesquisador considera que “80% das piadas e causos atribuídos a ele já existiam, as pessoas apenas mudaram o personagem, aproveitando a carona da fama de ranzinza”.

Causos e Causos

Uma das piadas atribuídas a Lunga, tornou-se conhecida nacionalmente. Reza a lenda que certa vez Lunga caminhou alguns metros até um bar próximo a sua residência, nas imediações da Capela do Socorro, onde está sepultado oo corpo de Padre Cícero, e pediu que o proprietário colocasse uma música. Consternada, a dona teria respondido: “Não posso. Meu marido morreu”. Seu Lunga, irritado, retrucou: “E ele por acaso levou os discos pro caixão?”.

O estabelecimento foi palco, ainda, de outras piadas. Seu Lunga teria ido buscar o refrigerante com a esposa e a filha, quando o dono do bar perguntou: “É a família, Seu Lunga?”. “Não, são as minhas duas putas”, teria dito Seu Lunga. O proprietário do bar, Antônio Deusimar, garante que as histórias são falsas e que Seu Lunga não costumava ir lá, apesar de passar em frente ao estabelecimento todos os dias.
No entanto, o mundo do poeta não girava tão-somente em torno da rispidez e mau humor. Uma forma – quase infalível – de arrancar um sorriso, ainda que tímido, de seu rosto, era pedir que declamasse uma de suas 20 poesias. Aliás, era um dos raros momentos que tirava Lunga do conforto de seu banquinho da Sucata. Para declamar Lunga ficava de pé e estufava o peito.

Ao externar sua estima por Lunga, Casimiro – o qual contabilizou 78 títulos de cordéis contando a história de Lunga – questiona as razões pelas quais o amigo de longa data do seu pai não ter sido lembrado como poeta, comerciante ou até mesmo como agropecuarista, uma vez que Seu Lunga se deslocava duas vezes por mês até o Sítio Pedrinhas, zona rural de Juazeiro do Norte, o qual mantinha algumas cabeças de gado.

Seu Lunga rendeu 78 títulos de cordel para Casimiro. As obras contavam a história do comerciante e poeta do Juazeiro do Norte

Lunga também possuía um lado religioso. Demontier Tenório lembra que o primo era “homem católico e devoto do Padre Cícero, o qual esperava ver reabilitado antes de morrer”. Padre Cícero, prefeito de Juazeiro do Norte por 15 anos, teria servido de inspiração para que Lunga se aventurasse na vida política.

Em 1988 entrou na disputa para o cargo de vereador de Juazeiro do Norte. Filiado ao Partido do Movimento Democrático Brasileiro (PMDB), Lunga obteve 273 votos, figurando na 56ª, sem conquistar o pleito. Um dos poucos assuntos que não despertavam o interesse do comerciante era o futebol.

Velório do Seu Lunga em Juazeiro do Norte Foto: Elisângela Santos

“A única vez que assistiu a um jogo de futebol ele se decepcionou”, lembra Demontier. Foi entre Juazeiro e Crato semanas após ter chegado à terra de Padre Cícero. "Só deu pancadaria. O campo tava em obras e houve uma chuva de concreto e banda de tijolo. Nunca esqueci aquela cachorrada", descreveu Lunga a um familiar.

Por fim, Walker afirma que “Lunga sobreviverá à própria morte. Vai entrar para a história como personagem folclórico do Nordeste e será tão conhecido como Padre Cícero”. Alguém dúvida?
ACERVO EM RISCO
Espaço do Memorial está degradado
21.12.2014

Juazeiro do Norte. Um espaço dedicado à memória de Juazeiro do Norte e do Padre Cícero se encontra com sérios problemas de funcionamento. Inaugurado em 2008, o Memorial Padre Cícero, após passar por denúncias de desaparecimento de acervo, veiculadas em órgãos de imprensa nacionais, agora atravessa seu pior momento. Sem água, luz e climatização adequada, e ausência de condições para manter um espaço adequado para abrigar o seu acervo, ainda é um dos memoriais mais visitados da América Latina, recebendo a cada ano mais 60 mil pessoas, a maior parte delas romeiros e visitantes que vêm à terra do Padre Cícero. A Secretaria de Cultura admite que, em pelo menos duas semanas, um novo transformador será adquirido e a rede será restabelecida.
Fotos, objetos pessoais que pertenceram ao Padre Cícero, muitos materiais doados estão expostos praticamente no escuro. O sistema de ar-condicionado, bastante antigo, está sem funcionamento, e um transformador ligado ao espaço chegou a explodir e pegar fogo durante o mês passado, deixando o local sem condições de funcionamento, na parte do auditório com 350 assentos e que possui uma agenda intensa de eventos.
O espaço do Memorial Padre Cícero chegou a ser um dos mais privilegiados para eventos na região do Cariri. Foi sede de quatro simpósios de estudos relacionados ao sacerdote fundador de Juazeiro do Norte. Por pouco não sediou o quarto evento, realizado no começo de novembro, por falta de energia. Um gerador foi acionado de emergência para sediar a abertura.

Mudança
O pesquisador Daniel Walker, diante do quadro que se encontra o local, diz que existe apenas uma saída para os problemas crônicos do espaço, que é sair da tutela da prefeitura local e transformar o órgão numa fundação independente ou entregá-lo à administração da Universidade Federal do Cariri (UFCA). Ele cita essas alternativas, como acontece atualmente em várias cidades brasileiras. "É prática corrente e danosa os prefeitos não cuidarem bem das obras feitas pelos seus antecessores. Portanto, para quebrar esse costume melhor é tirar mesmo o Memorial da tutela municipal", enfatiza.
Uma pequena reforma chegou a ser realizada, durante a gestão passada, após passar por vários problemas de infiltração, central de ar-condicionados e as cadeiras do auditório, com 350 assentos. Apenas recuperadas, parte das cadeiras está quebrada e com madeira apodrecida. O local já passou por sucessivas administrações, por meio da Fundação Memorial Padre Cícero e, nos últimos anos, teve um trabalho de divulgação de parte do acervo, por meio de exposições realizadas em espaços como o Cariri Garden Shopping.
O que poderia ser um lugar de salvaguarda do memória do município, desde a sua fundação, acabou se tornando um local que ameaça a própria manutenção do acervo. Funcionários sofrem as limitações de poderem atuar com seus respectivos serviços. A biblioteca, por exemplo, praticamente não está recebendo visitantes em virtude da falta de ar-condicionado.
Sendo proibidas as fotografias com flashes, se torna quase impossível levar a lembrança de uma imagem focada no ambiente escuro. A ausência de manutenção fora do prédio também pode ser notada. Algumas colunas estão deterioradas ao ponto de o ferro estar exposto e paredes riscadas, pichadas, além de estarem sem cerâmicas em alguns pontos. O processo de degradação do Memorial tem sido contínuo ao longo dos últimos anos. Uma das caixas de fiações elétricas, logo na entrada da área administrativa, se encontra aberta, com os fios expostos. Um dos funcionários afirma que os eventos deixaram de ser marcados no auditório em função da falta de energia e um novo transformador deverá ser adquirido.
Doação
A maior parte do acervo do Memorial é doado. Lá podem ser encontrados desde paramentos do Padre Cícero, louças, como porcelanas e pratarias, um acervo fotográfico em exposição, baús da casa do sacerdote, além de um canhão usado na Guerra de 1914, na luta pela independência política de Juazeiro do Norte, usado pelos adversários. Quanto a um testamento do Padre Cícero, considerado um dos documentos mais importantes da cidade, há menos de cinco anos chegou a sofrer danos, por conta de uma infiltração no prédio. O material se encontra protegido por uma redoma.
O pesquisador Daniel Walker afirma que todo o acervo inicial do memorial, composto por livros, fotos, jornais, cordéis, xilogravura e documentos do Padre Cícero pertenciam a ele e ao pesquisador Renato Casimiro. "Fizemos uma estimativa de quanto gastamos para adquirir tudo e o prefeito da época, Manoel Salviano, fez o ressarcimento", disse. Ele destaca que foi um preço simbólico para a importância do material e lamenta que, ao longo do tempo, o rico acervo começou a ser dilapidado e assim foi perdida muita coisa, principalmente livros.
O acervo ainda possui uma reserva técnica sem condições para exposição, diante da situação de degradação do espaço, conforme reconhece a própria secretária de Cultura, Mali Bezerra. Ela afirma que os problemas que estão sendo enfrentados pela administração para recuperar o local têm sido imensos, já que foram administrações sucessivas em que houve esse processo e não foi feita a manutenção adequada do espaço. Quanto à falta de luz e energia, um dos dois transformadores que havia no local sumiu e o de menor potência acabou não resistindo e também está danificado. Sem o funcionamento do equipamento, há também a falta de água, já que o motor precisa de eletricidade para funcionar.

A secretária ainda destacou que o seu compromisso é deixar o local funcionando. Ela disse que os carpetes do memorial estão lá há mais de três décadas, representam risco à saúde das pessoas e serão substituídos. Os camarins, segundo ela, foram desocupados e estão em condições de funcionamento para as apresentações. A atual presidente, Solange Cruz, se encontra com problemas de saúde, desde o dia que resolveu organizar o memorial, conforme Marli. Ela não soube informar quanto será destinado à recuperação do equipamento. (E.S)
Mais informações:
Memorial Padre Cícero
Praça do Cinquentenário
Centro
Juazeiro do Norte
Telefone (88) 3511- 4040

Matéria de Elizângela Santos - Diário do Nordeste - Cariri, 21 de dezembro de 2014



05/04/2014 20h28 - Atualizado em 05/04/2014 20h38
Primo e amigo de José Wilker lembram da infância do ator no Ceará
Ator morou com os tios até os 14 anos em Juazeiro do Norte.
Artista pretendia fazer um documentário sobre o lado místico da cidade.
Gioras Xerez
Do G1 CE com informações da TV Verdes Mares

José Wilker nasceu no dia 20 de agosto de 1946, em Juazeiro do Norte, a 533 Km de Fortaleza. E morou com os tios até os 14 anos. Um dos primos do ator, Daniel Walker, relembra a infância do artista.
“Quando ele veio para cá, em 2002, José Wilker nem se admirou muito com crescimento da cidade. Fato de ter shoppings. Não ligava para isso. Agora o misticismo de Juazeiro do Norte ele admirava. Ele tinha vontade de fazer um texto sobre esse Juazeiro do Norte místico. Ele me pediu inclusive uns livros sobre Padre Cícero. Ele tinha interesse em fazer um documentário ou filme sobre esse assunto”, relata o primo.
Amigo de infância, Sávio Leite, mostra imagens de José Wilker, no Programa Domingão do Faustão, da Rede Globo, no qual participou do Arquivo Confidencial. Nele Sávio Leite contou relatos sobre a amizade com José Wilker.  “Ele não tinha o direito de morrer tão cedo. Acho que faltou uma tarefa na vida dele. Escrever uma peça, um livro sobre a infância dele na cidade”, conta.
saiba mais
Morre aos 66 anos o ator José Wilker
Talento desde cedo
Sávio Leite  lembra o talento que o ator já demonstrava desde jovem. O fato mais memorável foi quando José Wilker recitou o poema  “Vozes d'África” do "Poeta dos Escravos", o baiano, Castro Alves.
“Quando houve essa competição no colégio ele logo se destacou. Quando ele recitou “Vozes d'África” de Castro Alves, ele nos deixou de boca aberta. Ele tinha um talento natural. Já estava no sangue dele essa vocação pelo teatro”, afirmou o amigo.
José Wilker estudou por sete anos no Colégio Salesiano.  De acordo com o boletim da escola, José Wilker, se destacava em várias matérias, dentre elas, em Geografia, História, Canto e Latim.
“Ele era dedicado as atividades e várias disciplinas. Inclusive com notas altas. Variando entre sete e nove”, diz a diretora do colégio, Marivalda Pereira.
Morte inesperada
O ator e diretor José Wilker morreu, aos 66 anos, na madrugada deste sábado (5) no Rio de Janeiro. Ele sofreu um infarto. Wilker ficou conhecido por trabalhos marcantes em novelas como "Roque Santeiro", em que interpretou o personagem-título, e "Senhora do destino", em que interpretou o bicheiro Giovanni Improtta. No cinema, fez filmes como "Bye bye Brasil" e viveu o Vadinho de "Dona Flor e seus dois maridos".


Wilker morreu no apartamento da namorada, Claudia Montenegro, em Ipanema, Zona Sul. Segundo o produtor e amigo Cláudio Rangel, o velório está previsto para começar às 23h30 deste sábado, de acordo com a liberação do corpo, e seguirá até as 15h de domingo (6), aberto ao público. A cremação será no Memorial do Carmo, no Caju, às 18h.

Juazeiro comemora 170 anos do Padre Cícero

23.03.2014
O aniversário será lembrado com várias atividades, entre elas uma Caravana que percorrerá o Brasil



Sacerdote ainda é venerado por milhares de fieis
de muitas regiões do Nordeste.
Foto: Eduardo Queiroz
Juazeiro do Norte. Um santo, visionário, profeta, conselheiro das massas ou um homem extraordinário. Todas essas definições podem caber muito bem para o cearense que ultrapassa as fronteiras da transcendência. Aos 170 anos de aniversário, completados amanhã, o Padre Cícero Romão Batista, 80 anos após a sua morte, chama a atenção de estudiosos de diversas partes do mundo.

Livros lançados sobre sua vida se tornam best-seller ou são até reeditados depois de quatro décadas. As obras também tornam-se produtos atrativos para uma boa leitura, pela análise de sua história.


Diante da dimensão da data de aniversário do religioso tão conhecido pelo Brasil afora, a partir da próxima quarta-feira, 25, sai por diversos estados do Brasil a Caravana do Meu Padim, com várias relíquias do sacerdote e do município de Juazeiro do Norte.

O caminhão, que leva muitos pertences importantes do religioso, irá percorrer os municípios brasileiros com uma instalação itinerante e bem diversificada para atrair olhares de curiosos e também de pesquisadores.

O percurso de milhares de quilômetros a ser seguido pela caravana pelo País afora, ainda é indefinido quanto à quilometragem. Durante a viagem serão colhidas assinaturas durante a viagem, para serem entregues ao Papa Francisco, como forma de chamar a atenção para o processo de reabilitação.

Os documentos pertinentes ao assunto já foram entregues pela comissão de reabilitação à Congregação para a Doutrina da Fé, em 2006. Ainda hoje não se tem nenhuma informação sobre o andamento do processo.

História e estudos

Muitas são as atividades para lembrar o
aniversário natalício do religioso, tão amado
 por seus devotos, entre elas uma Caravana
intitulada Meu Padim com reliquias do sacerdote
e também do município.
Foto: Elizângela Santos
O Padre Cícero Romão Batista nasceu no dia 24 de março de 1844, na cidade de Crato, e morreu, 90 anos depois, no dia 20 de julho de 1934. Em março de 1865, ingressou no Seminário de Fortaleza, para seguir a carreira eclesiástica, onde foi ordenado em novembro de 1870.

Em abril de 1872, com 28 anos de idade, Padre Cícero Romão passou, então, a residir em Juazeiro do Norte, onde foi vigário e também prefeito.

O religioso por anos vem sendo analisado por muitos estudiosos. Prova disso é que pesquisadores, este ano, irão se debruçar nos estudos do IV Simpósio Internacional sobre o Padre Cícero E ...Onde está ele?, que será realizado de 16 a 20 de setembro deste ano.

A temática do evento mais um vez envolve o sacerdote, em busca de maior aprofundamento dos estudos sobre a atual condição em que é visto pela sociedade e o que ainda poderá ser explicitado a seu respeito, do ponto de vista da natureza histórica, sócio-política, antropológica, dentre tantos outros aspectos.

Enquanto o Simpósio não é realizado o Padre Cícero Romão será lembrado de outra forma: através da Caravana do Meu Padim. Para o coordenador da Caravana, Marcelo Fraga este será mais um grande itinerário, desta vez a ser seguido Brasil afora, para levar o nome e a história do religioso até as pessoas que ainda não tiveram a oportunidade de estar em Juazeiro do Norte.

Ele está ansioso quanto à surpresa que a caravana poderá causar, mas ao mesmo tempo lembra que ano passado a exposição com as relíquias do Padre Cícero foram expostas no Centro de Tradições Nordestinas (CTN), no bairro do Limão, em São Paulo, quando na oportunidade, percebia nas pessoas que visitaram o espaço a alegria de estar tendo acesso ao material.

Para o escritor Geraldo Menezes Barbosa, aqueles que jamais pensaram em ver algo relacionado à história do Padre Cícero, chegam em Juazeiro do Norte e parecem sentir que tudo foi verdade, pela expressão da segurança como os objetos pertencentes ao religioso aparecem aos olhos do moderno. "Mostra a verdade e o que era a beleza histórica do Padre Cícero", disse.

Mais fiéis

São quase 90 anos de vida do religioso e o escritor afirma não acreditar que as romarias estejam diminuindo, mas se multiplicam com as novas gerações. "Mudaram os números, mas o poder da fé continua da mesma maneira", avalia. Quanto à reabilitação do Padre Cícero, ele não acredita que haja tão cedo o reconhecimento. Conforme avalia, a Igreja sempre estará protelando essa análise e isso confirma que já foi decido pela igreja. "Mas a fé do Padre Cícero tem a força da imortalidade", ressalta.

Ainda conforme o escritor Geraldo Menezes, mesmo após os 170 anos de nascimento do Padre Cícero Romão, há mudanças na forma de ver o sacerdote, a partir das novas gerações. "O mundo é uma eterna mudança, mas no fundo, a história de Juazeiro do Norte tem essa raiz inabalável, que é o produto do milagre", afirma.

No dia 20 de cada mês, a data tradicional das missas do Padre Cícero, reúne na praça do Socorro milhares de pessoas e não foi diferente na data anterior ao seu aniversário, e também amanhã, cedo, quando será cantado o parabéns ao homem que se tornou santo para muitos sertanejos. "Esse, que significa um pai amoroso. Mesmo antes de ser afastado de ordens, já era considerado dessa forma pelos romeiros que o procuravam para conversar, pedir orientações e conselhos a ele", afirma o escritor Geraldo Menezes.

Bom sacerdote

"É uma expressiva demonstração de fé a uma pessoa santa, um padre virtuoso que morreu com a punição de suspensão das ordens declarada pela Igreja, da qual nunca se afastou", diz o pesquisador Daniel Walker.

Para ele, Padre Cícero Romão Batista está canonizado pelo povo cearense, e de outras regiões, e a própria igreja sabe disso. "Padre Cícero é uma das personalidades mais festejadas que conheço. Até no aniversário de morte, dia 20 de julho", diz Walker, ao traduzir de forma simples o carisma e a grande devoção popular ao pároco, que fundou o município de Juazeiro e incentivou o seu desenvolvimento, sob o lema da fé e do trabalho.

Programação

A Semana Padre Cícero, dentro da programação pertinente ao seu aniversário natalício, inclui desde encontros e debates, a elaboração do tradicional bolo de aniversário, a ser instalado na praça do Socorro, a 32ª edição da Corrida Padre Cícero, que sairá da Praça da Sé, no Crato, chegando na Praça Padre Cícero, em Juazeiro, e a apresentação de grupos de tradição popular.

O Padre Cícero sempre gostou de comemorar o seu aniversário. Tanto que festejou os seus 90 anos com grande festa na cidade. Nesse dia foi feriado e começou com uma alvorada festiva e show pirotécnico, além de um almoço servido em sua casa.

O feriado continua, tanto que em todo o Estado, no dia 19 o comércio, escolas e repartições públicas são fechados, mas a cidade dá preferência à data de 24 de março, e funciona normalmente no Dia de São José. E tem também o bolo gigante. Os parabéns e o apagar das velas para o aniversariante acontece pouco depois da meia-noite.

Mais informações:

Caravana do Meu Padim
Rua Padre Cícero, 499
Centro
Juazeiro do Norte - CE
Telefone: (88) 8827.4015

Elizângela Santos
Repórter

FIQUE POR DENTRO
O suposto milagre do religioso


Em 1889, durante uma comunhão, a hóstia consagrada por Padre Cícero sangrou na boca de uma beata chamada Maria de Araújo. O povo considerou o fato um milagre. As toalhas utilizadas para limpar o sangue tornaram-se objetos de adoração. A notícia espalhou-se e Juazeiro começou a ser visitada por peregrinos, com a finalidade de conhecer de perto o religioso. Padre Cícero chegou a ser acusado por membros da Igreja de manipular a fé das pessoas e cometer uma heresia. O 'fenômeno' tomou proporções com sua divulgação em todo o Nordeste e foram realizados vários questionamentos sobre a veracidade do 'milagre'. A beata chegou a ser levada ao Crato, e o sacerdote foi punido com a suspensão de ordens, em 1894. Mesmo assim, uma grande quantidade de pessoas vinha à sua procura, e ele atendia com atenção e aconselhava a todos. Mesmo proibido de celebrar, ele lutou para ter a permissão da igreja. No ano de 1898, chegou a ir à Roma, encontrar-se com o papa Leão XIII. Durante a visita, ainda chegou a receber autorização parcial, mas ainda estava proibido de celebrar. Mesmo assim, continuava com suas orações junto com o povo, em Juazeiro.

HISTÓRIA RELIGIOSA
Della Cava relança livro ‘Milagre em Joaseiro’
23.02.2014
Cariri Regional - Diário do Nordeste
FOTO: ELIZÃNGELA SANTOS
Pesquisador norte-americano veio a Juazeiro do Norte para relançamento da 3ª edição de obra polêmica

Juazeiro do Norte. Uma leitura que se tornou tão obrigatória para os pesquisadores do Padre Cícero e da religiosidade em Juazeiro do Norte, quanto a rota de peregrinação traçada pelos romeiros ano a ano, nos locais considerados sagrados. O livro 'Milagre em Joaseiro' chega a sua terceira edição, com lançamento nacional no Ceará. Foi Juazeiro que marcou o primeiro momento do retorno do brasilianista norte-americano, Ralph Della Cava ao Brasil, para autografar os exemplares iniciais da nova edição pela editora Companhia das Letras.

A solenidade de lançamento aconteceu no Teatro Patativa do Assaré, no Sesc, em Juazeiro, prestigiada por intelectuais e autoridades políticas e acadêmicas de vários estados do Nordeste.

Em Fortaleza, a edição foi lançada na Livraria Cultura, esta semana. A primeira leva dos livros teve lançamento no Brasil em 1977, período em que a obra foi traduzida para o português pela professora cearense, Maria Yedda Linhares, publicada pela Paz & Terra. Mas o lançamento inicial ocorreu mesmo nos Estados Unidos, em 1970, com o título 'Miracle at Joaseiro', pela editora da Universidade de Columbia, de Nova Iorque.

A pesquisa foi realizada por quase quinze anos, a partir de 1964. O escritor foi um dos primeiros a ter acesso aos documentos referentes ao Padre Cícero, que estavam trancafiados na Diocese do Crato e com os salesianos. A maior parte do material foi acessada pela primeira vez pelo autor.

Referência
Um dos principais aspectos que fez a publicação se tornar uma referência no mundo acadêmico é o seu caráter imparcial de análise dos fenômenos relacionados à religiosidade, ocorridos no Município juazeirense. A nova edição traz o prefácio assinado pelo autor e um ensaio do sociólogo Diatahy Bezerra de Meneses, professor emérito da Universidade Federal do Ceará (UFC).

Pesquisadores como o professor Daniel Walker destaca o livro como um divisor de águas na história de Juazeiro do Norte, fornecendo elementos essenciais destinados aos estudiosos do Padre Cícero. Para ele, uma referência obrigatória.

"Ele mostrou uma neutralidade científica. Um livro de uma pesquisa muito profunda", afirma. Conforme o pesquisador, Della Cava talvez tenha sido o primeiro estudioso a perceber a importância dos arquivos presentes em Juazeiro do Norte, Fortaleza, no Brasil, em Roma, na Itália.

O antropólogo e pesquisador, Ralph Della Cava, esteve no Brasil em 2011, período em que recebeu, durante solenidade na Universidade Federal do Ceará (UFC), então campus Cariri, o título de

Doutor Honoris Causa, concedido pela instituição. A sua publicação até hoje é uma das mais consultadas sobre história do fenômeno ocorrido em Juazeiro do Norte, que teve o seu principal
acontecimento em 19 de março de 1889, com o sangramento da hóstia na boca da beata Maria de Araújo, ofertada pelo Padre Cícero. O então milagre tornou-se um dos fatos mais polêmicos da história do Brasil. Até hoje, milhões de nordestinos e fiéis de todo o Brasil seguem para Juazeiro com a finalidade de reverenciar a figura do sacerdote.

Mesmo combatido pela igreja, o milagre se espalhou por todo o Nordeste. A maioria das publicações passou a tratar apenas de um aspecto sobre a causa. Segundo o pesquisador juazeirense, Renato Casimiro, responsável pela apresentação da terceira edição do livro, na solenidade, uns eram contra, defendendo a veracidade de um milagre, e a postura dos romeiros que acorriam ao Juazeiro do Norte para reverenciar o sacerdote, e outros combatiam, tratando-os como fanáticos.

Acervo
A maior parte dos documentos voltados à pesquisa de Della Cava, estavam na Diocese do Crato e com os salesianos, além de documentos que se encontravam com terceiros. Mas, mesmo assim, se configura como uma das obras mais completas, com material importante revelado pelo autor. Conforme Casimiro, foram mais de 15 mil documentos consultados para elaboração do trabalho, resultado de uma tese de doutoramento do antropólogo.

Por pouco o autor não chegou a desistir de elaborar a pesquisa, pelas dificuldades de acesso à documentação. É que na época, havia severas restrições para se falar no assunto do milagre, principalmente no tocante à beata Maria de Araújo. Mesmo assim, Juazeiro do Norte já era palco das grandes romarias, recebendo milhares de fiéis do Padre Cícero.

O lançamento da edição norte-americana, pelo autor, nos Estados Unidos, em 1970, foi um ano após a inauguração do monumento erigido em homenagem ao sacerdote, na Colina Horto, em

Juazeiro. Uma estátua de 28 metros até a base, das maiores já construídas em concreto no Brasil. A foto da estátua, que passou a ser um dos mais visitados atrativos do País, tomou a capa da edição inicial de 'Milagre em Joaseiro'.

EM DEFESA DA MEMÓRIA
Matéria publicada na Cariri Revista, edição 14

A acadêmica e cineasta Adriana Botelho, sempre mobilizadora de pensamentos e ações que engrandecem a nossa região em sentidos múltiplos, viveu com seus alunos da Universidade Federal do Cariri uma experiência de reflexão e descoberta. Uma fotografia da Praça Padre Cicero, em Juazeiro do Norte, foi tirada e depois tratada em urn programa de computador onde se retirou dela tudo o que maculava a beleza e a harmonia - fios, lixo, cartazes em fachadas, carros estacionados desordenadamente. Exposta a foto tratada na própria praça, provocou a surpresa, a alegria e o estranhamento dos passantes que a observaram. Como parte do projeto de pensar Juazeiro, Adriana ouviu dois pesquisadores da história da cidade que lutam há décadas pelo resgate do patrimônio com as armas da comunicação. Daniel Walker e Renato Dantas, incansáveis defensores da memoria e da cultura do Cariri, têm  muito a dizer sobre a cidade que se ergueu sobre pilares improváveis, tornando-se urn polo de crescimento econômico citado como exemplo em todo o Brasil. A seguir trechos dos depoimentos, constantes do acervo do projeto de Adriana Botelho.
"Em 1924 começou o movimento e culminou-se em 1925 para prestar uma homenagem ao Padre Cícero, fazer uma estátua. Aquela estátua de bronze que tem lá na praça, Floro [Dr. Floro Bartolomeu] encomendou a um artista no Rio de Janeiro, porque era a tentativa dele de evidenciar Juazeiro às forças armadas. Ele armou toda uma construção para trazer a Marinha para o Juazeiro para aliar-se a Marinha. Deu-se o nome da praça de Almirante Alexandrino de Alencar, originado da família Alencar aqui do Cariri. Para que acontecesse a inaugurarão da estátua e o Exercito viesse a Juazeiro conhecer, Floro transformou a cidade - mandou calçar, arborizar. Houve a inaugurarão da estátua, vieram os representantes da Marinha, a Escola de Aprendizes de Marinheiro mandou uma banda, foi uma grandiosa festa. Eu considero o dia da entrega do Juazeiro à nação brasileira. Foi um dos fatos políticos mais importantes para a sobrevivência da cidade" conta Renato Dantas enfatizando a importância marcante da Praça Padre Cícero na formação de Juazeiro. Daniel Walker complementa: "Logo após a independência de Juazeiro, já existia a praça que era chamada de Quadro Grande, sua primeira denominação. Na realidade, esse Quadro Grande começava no Memorial Padre Cicero e ia até lá. Quando o Padre Cicero começou a bolar o plano de urbanização de Juazeiro, as primeiras ruas foram traçadas cortando a praça, então ela foi dividida em pedaços. 0 lado de cá, que é o lado do Memorial, passou a ser chamado de Praça São Vicente, onde tem a capelinha de São Vicente até hoje e, o que foi cortado da Praça Padre Cícero, foram as ruas São Pedro, Padre Cícero, do Cruzeiro e São Francisco. Como ali foi dado o grito de independência de Juazeiro, aquela praça passou a ser chamada de Praça da Independência, também de Praça da Liberdade. Ficou com essa denominação até que Dr. Floro botou o nome de Praça Almirante Alexandrino de Alencar. Apesar de o prefeito ser o Padre Cícero, foi Dr. Floro quem construiu a praça e colocou o nome, com a estátua do Padre Cícero lá. Isso é uma coisa esquisita que acontece em Juazeiro: se homenageia uma pessoa com um nome de praça e às vezes não tem o busto da pessoa homenageada, tem é de outra pessoa. Ali perto do Memorial tem uma praga chamada Praça José Sarney, mas tem o busto de Luiz Gonzaga e o busto de Darin, um jornalista de Juazeiro que faleceu. Lá nos Franciscanos tern uma praça que é chamada de Praça José Geraldo da Cruz, mas fizeram uns canteiros e ficaram parecendo umas cacimbas, e ficou conhecido como Praça das Cacimbas. É Juazeiro. É igual a Juazeiro dos Romeiros. Na Praça Padre Cícero, morar por ali, era símbolo de status social e econômico, as famílias mais abastadas de Juazeiro faziam questão de morar ali e o comércio começou ali. 0 metro quadrado mais caro da época e hoje ainda é. Com o passar do tempo, as residências foram se afastando. Hoje, só tem lá mesmo duas residências com moradores, tinha a terceira que era de Dona Alacoque, que faleceu e a casa está praticamente desabitada. Então, tem a Casa dos Bezerra de Menezes, que eles usam quando vêm a Juazeiro, e a outra casa é de urn comerciante chamado Hugo Melo, que fica entre a Casa dos Bezerra e a Farmácia dos Pobres. Nos quatro lados da praça tinham residências, mas hoje praticamente e só comercio. Um detalhe que eu acho deprimente para aquele ambiente, porque hoje o que prevaleceu foram aqueles bares, as mesas no meio das ruas. Aquela praça era a praça da sociedade juazeirense, quem morava da linha prá frente  eram chamadas de pessoas do arisco (subúrbio, afastado do centro, da civilização, as ruas eram horríveis, não tinha iluminarão elétrica, morar lá significava ser  gentinha), até que o prefeito Capitão Humberto, Coronel hoje, começou a humanizar aquilo ali. Tudo acontecia na praça - desfiles de 7 de setembro, a Festa da Padroeira, as quermesses, os comícios. Quando eu e o Renato Casimiro fomos recolher os depoimentos nesse trabalho sobre a praça, mais de 90% das lembranças que as pessoas têm é romântica, todo mundo só fala nos namoros. As vantagens da praça: era bonita, era uma parada obrigatória de quern ia ou voltava da missa da Matriz. Quando terminava a missa, lotava a praça. Os homens ficavam parados em pé e as meninas é que desfilavam. 0 homem só ia quando engatava urn namoro. A questão dos eventos ali era muito forte. Eu acredito que o que faz essa praça ter esse charme todo é o fato de ter a estátua do Padre Cícero ali. Na Coluna da hora, existia urn relógio que marcava as fases da lua, feito por urn juazeirense. Ele ainda funcionou por muito tempo e o fabricante faleceu, então não teve ninguém pra ajeitar aquele relógio. Cada prefeito que assume faz uma reforma naquela praça - a praça primeiro foi sem banco, depois teve banco de madeira e metal, depois banco de marmorito no final dos anos 50, foi a melhor fase dela, todo mundo se lembra. Tinha urn banco enorme, o povo chamava de banco dos velhos (eles se reuniam para fofocar, pra falar sobre política, religião), até hoje esse banco existe, só que não e mais no mesmo local. Agora ele e menor e fica perto do posto de taxi. Todo domingo lá tem gente batendo papo. Em 1958, foi o ano que o Brasil ganhou a copa, tinha um banco que era o banco da Copa do Mundo e tinha a formação da seleção brasileira ali. Foi o ano em que o Vasco se destacou no campeonato, então tinha o banco do Vasco. Os bancos onde a gente namorava tinha nome de lojas comerciais, tinha a propaganda comercial nele."
Renato Dantas recorda e enfatiza: "Hoje onde se encontra as Lojas Americanas, foi a residência de Marquise Branca, primeira atriz de Juazeiro do Norte, que se projetou nacionalmente. Nessa área das Americanas também tinha a "casa do enforcado", que a gente tinha medo dessa casa, da suposta alma. A gente não passava nem na calçada. Eu nunca vi este prédio aberto. Ela foi destruída entre 1968 e 1969. Aqui funcionou o Cine Avenida, onde hoje é o Hotel Municipal. Aqui onde hoje e a Lojas Esplanada, funcionou a primeira sede do Treze Atlético Juazeirense [Clube criado em meados dos anos 40, que promovia bailes]. 0 formato da Praça Padre Cicero era francês. Nessa casa morava Dona Rosinha Esmeraldo, uma intelectual que tinha uma biblioteca riquíssima, onde quando eu era adolescente funcionava um centro de cultura criado por nós, onde a grande história era a leitura. Hoje, nesse local, existe urn prédio de três andares que funciona um anexo da Câmara Municipal de Juazeiro. Aqui funcionava o Cine Teatro Iracema, onde Marquise Branca, quando vinha pro Cariri se apresentava. Hoje foi transformado em uma garagem. Esse prédio era onde funcionava a barbearia que o Padre Cícero frequentava, e hoje é um laboratório. Nessa área onde hoje é o terminal municipal, que pega o ônibus para o Crato, era a casa do Dr. Mozart Cardoso de Alencar. A Coluna da Hora, erguida na Praça Padre Cícero. não foi uma questão de modismo, como acontecia no Brasil Ela foi construída em 1934, e a ideia era mostrar pra todo mundo que Juazeiro não ia se acabar, pois havia pouco tempo o Padre Cicero tinha falecido, então um monte de gente achava que a cidade não ia sobreviver. 0 construtor foi o italiano Agostinho Balmes Odisio [ele também é responsável pela imagem/estatua do Padre Cícero que existe em frente a Capela do Socorro, um dos modelos mais reproduzidas na cidade. Odísio mudou, totalmente, a arquitetura do Juazeiro, e do Cariri, notadamente a arquitetura religiosa. Nossa arquitetura religiosa tinha características de um Barroco "pobre", onde as igrejas eram simples. 0 Odísio mudou tudo isso, inclusive introduziu o gesso aqui. Juazeiro não trabalhava com gesso. Nós tínhamos imaginários [estátuas de santos] só em madeira. Ele criou uma linguagem artística que vinha trazendo da Itália. Foi o primeiro fabricante de mosaico hidráulico. Tudo mundo diz que o pé de juazeiro [a árvore] que existe na praça foi o Padre Cicero quem plantou, mas não foi. Quem plantou foi o pai de Maze Sales, que trabalhava para José Geraldo da Cruz que decidiu arborizar a Praça Padre Cicero. Por coincidência, esse pé de Juazeiro não tem espinho. Em torno disso foi criada toda uma relação mística."

SERVIÇO
Saiba mais sobre o Projeto Sitio Simulado
coordenado por Adriana Botelho
botelho.drica@gmail.com.
Sobre o Projeto Cidades para Pessoas
www.cidadesparapessoas.com.br

Incêndio destrói Casa dos Milagres em Juazeiro
24.08.2013
  
Todo o acervo de fotos, ex-votos, imagens foi consumido pelo fogo, que começou na madrugada de ontem

Juazeiro do Norte. A Casa dos Milagres, um dos principais pontos de visitação de romeiros e turísticos, há 77 anos, neste município, ficou totalmente destruída por um incêndio ocorrido na madrugada de ontem. No local, estavam milhares de ex-votos, imagens de santos e fotografias, depositados pelos romeiros, de promessas alcançadas feitas ao Padre Cícero e à Nossa Senhora das Dores. Nada restou.

Restou no local apenas uma imagem da padroeira Nossa Senhora das Dores
FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS

O fogo pode ter sido provocado por uma vela deixada no local, segundo informações colhidas pelo Corpo de Bombeiros. Os agentes chegaram ao Largo do Socorro, de frente à Capela onde ficam os restos mortais do Padre Cícero, por volta das 2h45. Não está descartada a hipótese de curto circuito. A perícia ainda não foi concluída.

Segundo os vizinhos, o incêndio foi iniciado por volta das 2 horas. Por volta desse mesmo horário, o teto já havia desabado, e o material, de fácil combustão, como os ex-votos de madeira e cadeiras plásticas, ficou totalmente carbonizados. Apenas um quadro de Nossa Senhora das Dores e uma cruz em metal, na parede da casa, eram vistos praticamente intactos, que chamou a atenção das pessoas. Os vizinhos temiam que o fogo passasse para as outras casas.

O sargento do Corpo de Bombeiros, Amauri Ferreira Noronha, atendeu a ocorrência. Ele disse que o tempo de chegada ao local, a pelo menos 6 quilômetros do quartel, foi rápido, mas tudo já estava destruído e o telhado no chão. "Os vizinhos demoraram a perceber o fogo, já que estavam dormindo. Ao acordarem, o local já estava praticamente destruído", explica.

As paredes do local eram cobertas por fotos de devotos em suas promessas ao Padre Cícero e de autoridades e artistas que visitavam o lugar. A destruição do acervo é uma perda de parte da memória das romarias no município

"O Nordeste estava representado aqui", diz o escritor e pesquisador da história do Padre Cícero e de Juazeiro, Daniel Walker. Assim que soube do incêndio, foi ao local e lamentou ver um patrimônio da história da cidade destruído. "Fico imaginando como os romeiros vão ficar ao ver tudo isso destruído", diz ele, lembrando que o então monsenhor Murilo de Sá Barreto ainda chegou a querer adquirir a casa.

A propriedade é herança de família e já passou até pela polêmica de ser vendida e a casa deixar de existir.

"A minha irmã tratava isso aqui com muito carinho. Faz parte da história da nossa família", diz Geraldo Santino, neto de João Monteiro, fundador do local. Ele lembra que o seu avô criou o lugar no intuito de salvaguardar o material que os romeiros deixavam num oratório em frente à Capela do Socorro. A Igreja não aceitava guardar o material oriundo das promessas dos romeiros ao Padre Cícero e o seu avô era amigo do sacerdote. "Então ele decidiu doar a casa para essa finalidade", disse.

Mesmo lamentando muito o ocorrido, o proprietário do local, José Bezerra, afirma que até a romaria pretende reabrir o local e continuar recebendo os romeiros, com os seus ex-votos.

Além desse espaço para o depósito do material, também há, nos fundos da casa, um poço bastante visitado pelos fiéis. As pessoas normalmente bebem a água que consideram um remédio para muitos males e é até considerada milagrosa.

O local deveria ser um dos equipamentos da cidade a ser tombado, por meio do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Vários levantamentos já foram feitos de equipamentos ligados ao turismo religioso na cidade, e a Casa dos Milagres era um deles, além da própria estátua do "Padim".

Origem
A edificação era antiga e não estava bem preservada. Foi aberta em 1938, para salvaguardar o material depositado pelos fiéis de todo o Nordeste que vinham a Juazeiro do Norte fazer suas promessas. A casa, apesar de ser um dos patrimônios considerado sagrado pelos romeiros, estava sob os cuidados da família do idealizador do espaço, o romeiro paraibano João Monteiro, que foi amigo do Padre Cícero.

Ele chegou em Juazeiro em 1914. Passou a ser cuidado por Sebastiana Monteiro, que morreu há cerca de 18 anos. Atualmente, estava sendo administrada pela filha, Janaceli Santino Bezerra, que ao ver acena ficou chocada e teve um princípio de infarto. Está hospitalizada.

Para o professor Daniel Walker, a simbologia do romeiro estava representada na Casa dos Milagres. Muitas personalidades do Brasil, como políticos e cineastas, além de artistas como Gilberto Gil, já passaram pelo local. "Era como se fosse a extensão da casa de dona Sebastiana", disse. Muitos ex-votos que chegaram até o local foram guardados no Horto e também no Memorial Padre Cícero, pela grande quantidade que chega à Casa dos Milagres.

Mais informações
Corpo de Bombeiros
Rua das Flores, S/N
Bairro Romeirão
Juazeiro do Norte - Cariri
Telefone: 193
ELIZANGELA SANTOS
REPÓRTER



SANTO DE JUAZEIRO´
Mística de Pe. Cícero é alvo de estudos
29.07.2013

Culto ao Santo de Juazeiro representa numa multidão que não para de crescer a cada ano, em busca do milagre ou para o pagamento de promessas por graças alcançadas pela intermediação do "Santo de Juazeiro" FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS







Juazeiro do Norte. "Foi Padre Cícero quem colocou Juazeiro do Norte no mapa do Brasil. Sem ele, Juazeiro tinha tudo para ser apenas um povoado sem expressão, como tantos que existem no Brasil." A afirmação do jornalista e historiador Daniel Walker pode ser um tanto quanto forte, mas quem conhece um pouco da história de Cícero Romão Batista, o Padre Cícero, pode enxergar nela boa dose de realidade. E são diversos acontecimentos históricos que comprovam isso. "Padre Cícero, mesmo morto, é o ímã que atrai gente para impulsionar o desenvolvimento da cidade que ele fundou", resume o pesquisador.

Culto ao Santo de Juazeiro representa numa multidão que não para de crescer a cada ano, em busca do milagre ou para o pagamento de promessas por graças alcançadas pela intermediação do "Santo de Juazeiro" FOTO: ELIZÂNGELA SANTOS

Muito mais do que fundador da hoje mais populosa cidade do Cariri, Padre Cícero também foi seu primeiro prefeito e teve atuação destacada em outros setores. Foi um religioso que influenciou e cativou gerações de fiéis. Como administrador, mostrou preocupação com o combate à seca, à erradicação de doenças e com o crescimento do então povoado. "Padre Cícero é multifacetado, polivalente. Sua vida atrai pesquisadores de todos os ramos, como sociologia, antropologia, história, religião, política, economia, etc. É um inesgotável filão para pesquisa, o que pode facilmente ser comprovado pela vasta bibliografia existente sobre ele no Brasil e no exterior", explica Daniel Walker. De acordo com as pesquisas históricas, Padre Cícero também foi benemérito. Entre muitas outras ações, doou os terrenos para construção do primeiro campo de futebol e do aeroporto, contribuiu para a instalação de muitas escolas, como a Escola Normal Rural e o Orfanato Jesus Maria José, além de construir as capelas do Socorro, de São Vicente, de São Miguel e a Igreja de Nossa Senhora das Dores. No aspecto econômico, foi um visionário, dinamizando o artesanato local como fonte de renda, incentivando a instalação do ramo de ourivesaria e estimulando a expansão da agricultura, introduzindo o plantio de novas culturas.

No entanto, na visão de Daniel Walker, um dos principais pesquisadores da vida de Padre Cícero, o aspecto de santidade, que o faz ser reverenciado até hoje por milhões de pessoas, é o que mais se destaca na figura do personagem histórico. "É este aspecto que motivou o fenômeno que tem o seu nome e até hoje resiste, em que pese a Igreja ter feito de tudo para destruí-lo, inclusive banindo-o do seu rebanho com a aplicação da pena de suspensão de ordem 1894", observa o jornalista. "A Igreja e os inimigos do Padre Cícero apostaram que com a sua morte a cidade que ele fundou se acabaria, as romarias deixariam de existir e o seu nome seria apagado da memória do povo. Ledo engano, pois depois da sua morte, Juazeiro cresceu mais, as romarias não pararam e o seu nome continua sendo uma mina para estudos e pesquisas", avalia o historiador. "Ele já está canonizado como santo pelo povo à revelia da Igreja", afirma Daniel Walker.

Padre Cícero foi expulso pela Igreja, acusado de desobediência e heresia. Durante uma missa que celebrava, houve a transformação da hóstia consagrada em sangue, na boca da beata Maria de Araújo. Outros acontecimentos, como uma hóstia transformada em coração, chamaram a atenção do clero, que passaram a acreditar numa farsa, fazendo com que perdesse a ordenação. Enquanto isso, os fiéis passaram a ter certeza de que aqueles fatos eram milagres.

A história comprovou que a fé popular prevaleceu e até hoje o religioso é homenageado sob as mais diferentes formas, com romarias que atraem milhares de pessoas a Juazeiro do Norte. Por isso, existe o movimento pela reabilitação de Padre Cícero junto à Igreja e sua consequente beatificação. "A história mostra que Padre Cícero não é réu, mas vítima da intolerância da Igreja, um mártir da disciplina. O padre que ensinou o romeiro a rezar o rosário da Mãe de Deus,", comenta Daniel Walker.

Giuliano villa nova

Colaborador Diário do Nordeste


Juazeiro do Norte comemora 102 anos de emancipação política
23.07.2013

Juazeiro do Norte. Aos 102 anos de emancipação, completados ontem, a cidade de Juazeiro do Norte festejou a data com missa em ação de graças e uma programação voltada para a cultura local e inaugurações.

Ontem pela manhã, após o hasteamento das bandeiras, o padre José Venturelli celebrou missa, com a presença de autoridades locais, e o prefeito da cidade Raimundo Macedo, na Basílica de Nossa Senhora das Dores, um dos marcos de fundação da cidade, desde a pequena capela que espalhou a devoção da santa para todo o Nordeste. Juazeiro tem como um dos seus grandes fundadores o Padre Cícero Romão Batista.

A programação em alusão à semana do município foi iniciada na última quarta-feira. Este ano, a inauguração da Universidade Federal do Cariri (UFCA), com a posse da reitora Suely Salgueiro Chacon, marcou o aniversário da cidade como uma das grandes conquistas de vários anos de luta. O destaque foi dado durante a posse da reitora, pelo presidente da solenidade, o reitor da Universidade Federal do Ceará (UFC), professor Jesualdo Farias.

Padre Cícero

No último sábado, dentro da programação, também foi celebrada a tradicional missa dos 79 anos de morte do Padre Cícero, reunindo um público, segundo estimativa da igreja, de mais de 25 mil pessoas na cidade.

Juazeiro comemora os seus 102 anos, num dos melhores momentos do seu desenvolvimento econômico. Ao longo de sua história conquistou títulos oficiais, como o de "Capital da Fé", reconhecido por lei estadual, por ser um dos maiores centros de peregrinação do País e o maior do Nordeste.

A cada ano, a cidade recebe cerca de 2,5 milhões de romeiros, algo que segundo a secretaria de Cultura e Romaria da cidade, é crescente. A cidade começa a se preparar agora para o grande ciclo das romarias, que já se inicia no próximo mês de agosto, com a previsão de participação na romaria de Nossa Senhora das Dores, padroeira do Município, de mais de 400 mil pessoas de todo o Nordeste brasileiro.

"Milagre"

Durante a celebração na Basílica, o padre Venturelli destacou todo o processo de construção e desenvolvimento ao longo anos da cidade e disse que muito ainda há de se fazer por a terra, considerada lugar santo pelos romeiros. O crescimento do turismo e das romarias em Juazeiro do Norte é constante.

Em 1889 nasce um dos momentos mais controversos da religiosidade popular do Brasil. Até hoje o mistério ronda o Juazeiro. O sangramento da hóstia ofertada pelo Padre Cícero na boca da beata Maria de Araújo deu início ao processo das romarias. A notícia correu o Nordeste. O sacerdote querido passa a ser o padre do "milagre". A cidade, o palco da fé. O que mais tarde veio a ser chamado de turismo religioso, ainda não tem uma pesquisa ampla que faça com que se trabalhe diante de dados mais concretos, sobre o que representa o maior centro de romaria do Nordeste brasileiro.

Algumas pesquisas tentam demonstrar qual o perfil do romeiro que chega a cidade. Esse visitante, que na prática não gosta de ser chamado de turista, é o principal personagem que toma as ruas de Juazeiro, durante parte do ano, principalmente a partir do segundo semestre. E grande parte da cidade passou a se adequar a uma realidade incomum para a maioria dos municípios brasileiros.

Os monumentos católicos, praças requalificadas, grandes centros de celebração, anfiteatros, museus, templos, as pousadas, ranchos, hospedarias, restaurantes. A cidade, em todo momento, busca uma adequação para atender ao grande número de romeiros e turistas.

Informalidade

Durante as grandes romarias, a informalidade do comércio leva mais de três mil vendedores às ruas. São comerciantes do Cariri de diversas cidades nordestinas, segundo dados da administração municipal. A economia que movimenta uma massa em busca de fé depositada no ´padim´, mas que deixa o lucro que mantém um ciclo anual.

Mas, por trás de todo o processo de transformação, o mentor era mesmo o Padre Cícero, segundo o pesquisador e escritor, Daniel Walker. Foi o sacerdote quem começou, mesmo numa cidade que acabara de nascer e, com poucos recursos, trazer melhorias significativas no momento determinante do nascedouro.

o momento atual de Juazeiro do Norte é de intenso crescimento econômico. O município vem crescendo acima da média do Estado e, entre 2004 e 2008, e tornou-se a terceira economia mais importante do Ceará ultrapassando Caucaia e Sobral, que estão mais próximas da capital.

Desse modo, Juazeiro do Norte, com pouco mais de um século de emancipação, funciona como polo de desenvolvimento para os municípios do sul do Ceará e regiões circunvizinhas, acompanhado por Crato e Barbalha.

Mais informações
Secretaria de Turismo e Romaria de Juazeiro do Norte
Colina do Horto
Região do Cariri
Telefone: (88) 3511.6006
ELIZÂNGELA SANTOS - DIÁRIO DO NORDESTE - REGIONAL
REPÓRTER 

Um comentário:

  1. UM TRABALHO EXCELENTE QUE PRENDE O LEITOR AS INFORMAÇÕES E HISTÓRICOS DE RELATO SURPEENDENTE DA HISTÓRIA DO JUAZEIRO DO NORTE, PARABÉNS!!!

    Professora
    Francisca Elizete Marques da Costa.

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